noblau co

  • PROGRAMA

    DEVIR

    Um modo de viver. Uma jornada que ensina a habitar o próprio tempo e integrar corpo, relações e contexto, a partir de ciência ética, filosofia rigorosa e sensibilidade literária. Um percurso contínuo no qual se aprende a perceber os ritmos que guiam a vida e a responder com regulações que se ajustam à realidade de cada momento. Um convite a nomear o que antes era inominável, perceber o que pode ser transformado e acolher o que precisa maturar, atravessando mudanças vitais com presença, sentido e confiança no fluxo pessoal.

  • terapia integrativa

    mapeamento
    e sincronia
    de ritmos

    Uma abordagem clínica, individual e educativa que aplica os princípios da Cronobiologia Integrativa para promover a reorganização do viver por meio do alinhamento entre ritmos corporais, relacionais e contextuais. A partir do Mapeamento, identifica padrões e dessincronias, e oferece um espelho da experiência presente; e, durante a etapa de Sincronia , um acompanhamento estruturado, sustenta ajustes orientativos que restauram coerência, presença e vitalidade. Fundamentada em ciência e reflexão filosófica e literária, a TMSR permite que cada pessoa habite o tempo com fluidez e reconstrua seus processos vivenciais de forma sustentável e inteira.

  • PODCAST

    ENTRE
    TEMPOS

    Publicação e campo de escuta dedicados à investigação da experiência temporal humana em suas múltiplas dimensões, que entrelaça diferentes fontes de conhecimento para explorar o modo como o tempo se encarna em em gestos, relações e formas de presença. Ali, leituras, vozes e convivências compõem um percurso de pensamento e sensibilidade, onde refletir é também um modo de respirar junto ao mundo - e reconhecer, no intervalo-entre, o movimento contínuo de existir.

A CAUSA

reordenar a existência a partir dos ritmos que a sustentam, iluminando caminhos de consciência, inteireza e fluidez

Há um desgaste sutil que atravessa instituições, lares e relações, e escancara modos de viver que parecem perder ritmo e coerência. Mais do que dificuldades passageiras ou problemas solucionáveis com intervenções isoladas, são padrões persistentes que pedem um olhar atento, capaz de perceber a fratura no compasso da existência: a dispersão dos ritmos que estruturam corpo, cotidiano e mundo compartilhado. Um fenômeno que escapa às análises que isolam elementos, mas que, na vida concreta, acontecem em conjunto.

A Noblau Co surge da convicção de que qualquer ação profunda precisa respeitar os ritmos que moldam a experiência humana. É nesse sentido que nasce a Cronobiologia Integrativa, um campo transdisciplinar em que saberes se entrelaçam para identificar desencontros, descobrir estranhamentos e construir caminhos que restituam coesão entre o ser, seus vínculos e ambiente. O que parecia um acaso isolado mostra-se, enfim, sintoma de sistemas em desalinho, abrindo espaço para intervenções sensíveis e precisas, capazes de reorganizar cadência, ampliar a potência de agir e devolver densidade às práticas. Assim, indivíduos e coletividades reencontram o fluxo que dá forma à vida em sua totalidade.

o PORQUÊ

A IDEIA QUE NOS MOVE

O campo contemporâneo do cuidado convive com um enigma persistente: mesmo com avanços robustos no entendimento dos ciclos biológicos, das dinâmicas afetivas e das condições que sustentam relações nutritivas, expande-se um cenário de descompasso coletivo. A contradição não está na ciência ou filosofia em si, mas no modo como são aplicadas, de forma segmentada, capturando apenas partes de um organismo maior. Hoje, cada disciplina se orienta por um ângulo específico – umas investigam processos biológicos, outras se dedicam aos estados interiores, e outras, às dinâmicas coletivas – e, assim, o conjunto permanece fraturado. A tessitura temporal que articula essas dimensões raramente é percebida, embora seja ela o pulso sadio das variadas formas de viver – um tecido que, quando se desorganiza, desnuda a percepção de que aquilo que chamamos de sintoma, manifesta-se, na verdade, como um campo de forças em desalinho.

Essas fraturas, é claro, não surgem isoladas, mas multiplicam-se em ritmos que perdem direção, em relações aceleradas e em ambientes que intensificam estímulos até dissolver a capacidade de estar. O resultado é um conjunto de efeitos que não pode ser atribuído ao indivíduo, mas a uma arquitetura de tempos em conflito. A Teoria dos Três Tempos surge, então, como instrumento para clarear essas articulações ocultas, e permitir a compreensão de como diferentes camadas do viver se reúnem e se distorcem. Ao tornar visível o que estava disperso, portanto, favorece intervenções que reconstituem alinhamento, abrem passagem para outra qualidade de atenção e criam condições para uma reorganização duradoura, algo que ultrapassa os limites das práticas tradicionais e reinstaura um modo de existir mais íntegro e sustentável.

O COMO

Um compasso circular

O sistema temporal que forma a experiência humana manifesta-se como uma trama interdependente entre o Tempo do Ser, onde se inscrevem ritmos orgânicos, dinâmicas autonômicas e significados internos; o Tempo do Vínculo, que envolve relações, corregularidade e afetos partilhados; e o Tempo do Meio, que abrange contextos, práticas de trabalho e ecossistemas. Nenhuma dessas camadas atua de maneira autônoma, já que qualquer desajuste perpassa o conjunto e produz ondulações que repercutem na vitalidade, sociabilidade e no espaço cotidiano. A intervenção da Ecologia Temporal busca, nesse sentido, restituir movimento circular ao todo, posicionando-se a favor da reflexão de que quando o corpo ganha cadência, os afetos se ordenam, vínculos equilibrados ampliam estabilidade interna, emoções coerentes aprofundam relações; relações afinadas modulam o organismo, e contextos bem desenhados favorecem a fluidez de todos os ritmos, convertendo ciclos de dispersão em sincronia viva. Adotar essa abordagem significa elaborar protocolos capazes de traduzir movimentos sutis da temporalidade em ações precisas e ajustadas a cada realidade. Cada gesto, do lado de cá, incide simultaneamente sobre múltiplas escalas – orgânica, relacional e ambiental -, e promove convergência entre corpo, convivência e território. A mudança que emerge, por fim, não se reduz ao alívio imediato, mas reorganiza o sistema, regenera presença e continuidade, e reinventa a experiência humana de modo que o tempo volte a atuar como fonte de vigor, ordem e sentido partilhado.

Conheça os percursos em torno da temporalidade viva

INTEGRE UM CAMPO EM QUE OS RITMOS do CORPO, DAS RELAÇÕES E DOS CONTEXTOS SE ENTRELAÇAM EM COERÊNCIA PARA REVELAR CAMINHOS DE FLUIDEZ VITAL

Propomos jornadas voltadas a quem deseja reconstruir sua própria narrativa e incorporar os princípios da Cronobiologia Integrativa às suas práticas, aos seus ambientes e modos de cuidado.

devir

Um refúgio intelectual dedicado à escuta daquilo que se transforma. Um território onde a experiência é acolhida antes de ser interpretada, e o pensamento se organiza como presença, capaz de reconhecer as ritmicidades do ser, de seus vínculos e meio como matéria legítima do viver. Uma caminhada de letramento temporal, na qual o protagonismo vivencial e a capacidade de conduzir as próprias manifestações – sobre si, nas relações e no mundo – emergem como prática cotidiana e sensível.

DEVIR

A NATUREZA E O PROPÓSITO DO ESTADO DE VIR-A-SER

DEVIR atravessa a história do pensamento como uma recusa à ideia de identidade fixa. Já em Heráclito, o mundo se apresenta como fluxo, uma ordem dinâmica na qual nada permanece idêntico a si mesmo. Bergson, séculos depois, aprofunda essa intuição ao distinguir o tempo vivido da medida cronológica, afirmando a duração como experiência qualitativa, criativa e irrepetível. No século XX, esse eixo se desdobra na fenomenologia e na filosofia contemporânea, quando o devir passa a ser compreendido como condição fundamental da existência: o ser humano não é, ele se faz no tempo. DEVIR inscreve-se nessa linhagem como resposta às tensões entre a natureza rítmica, relacional e processual da vida humana e uma cultura que exige linearidade, aceleração contínua e coerência forçada.

Ali, a reflexão ganha forma. Os fundamentos da cronobiologia, da fenomenologia da consciência, da neurociência afetiva e da filosofia são apresentados como instrumentos de análise da experiência vivida, permitindo o reconhecimento de ritmos individuais, estados de regulação, padrões relacionais e formas recorrentes de organização do tempo. A crítica ao que chamamos de cronopoder amplia essa leitura ao evidenciar como regimes sociais, produtivos e simbólicos modulam percepções, vínculos e modos de estar no mundo. O que se cultiva em DEVIR é uma capacidade refinada de observação e discernimento: perceber quando o cansaço é biológico, quando o sofrimento é relacional, quando a exaustão é estrutural; compreender como corpo, narrativa e ambiente se coconstituem; e equilibrar escolhas mais ajustadas à própria história, aos limites reais e às condições do mundo compartilhado.

DEVIR

a quem se destina

a Corpos em busca de regulação

Para aqueles cuja experiência cotidiana revela ritmos que escapam à consciência, em que a integração entre ciclos biológicos, energia metabólica, função imunológica e equilíbrio hormonal exige atenção refinada. Aqui, o corpo é observado como sistema rítmico complexo, e a prática permite cultivar percepção, sensibilidade e estratégias de ajuste que respeitam os limites orgânicos, favorecendo presença e vitalidade sustentáveis.

a Pessoas reconstruindo padrão emocional

Voltado a quem percebe que emoções são processos corporificados, modulados pelo contexto e pela história pessoal, não reações isoladas, fixas e determinadas. O caminho aprofunda a consciência afetiva, tratando da granularidade nos estados internos, compreensão de como corpo e ambiente constroem a emoção, do reconhecimento de padrões e desenvolvimento de maneiras mais ajustadas de modelar sentimentos, acompanhando o fluxo emocional sem aprisionamento ou supressão.

a Vidas em transição

Para quem atravessa rupturas, perdas, mudanças de identidade ou passagens significativas, como luto, parentalidade, menopausa, reconfiguração de papéis. Essas fases são reconhecidas como períodos de reorganização estrutural, nos quais a atenção às ritmicidades particulares ritmo, à história que se constrói e à integração entre corpo, vínculos e mundo se torna fundamental, sustentando a capacidade de renovação e continuidade vivencial integral.

a buscadores de sentido e coerência existencial

Voltado a quem sente um desajuste entre existir e atribuir significado, seja no trabalho, na criação, nas relações, na narrativa da própria vida. O foco é cultivar discernimento sobre escolhas, valores e formas de presença, permitindo que sentido e ação se alinhem, e que as práticas sejam organizadas a partir de estruturas pessoais consistentes e autorais.

a Pensadores, pesquisadores e criadores

Para quem deseja integrar reflexão, produção intelectual e atuação vivida. Aqui, o estudo de ritmos, temporalidades e processos experienciados se traduz em capacidade de investigar e formar modos de engajamento mais sustentáveis, tanto para si quanto para outros, sem dissociar conhecimento da prática encarnada.

àqueles que sentem que, de forma alguma, encaixam-se

Para os que percebem urgência em compreender, reorganizar ou acessar aspectos de si que não se enquadram em categorias tradicionais. Esse espaço oferece ferramentas conceituais, práticas de percepção e diálogo com ritmos internos e externos, permitindo que cada pessoa encontre seus modos únicos de estruturação, cuidado e autoria.

DEVIR

a arquitetura da experiência ao longo do primeiro ano de permanência (2026)

01. 

Núcleo Formativo - eixos fundacionais

Seis movimentos conceituais, que formam a base do percurso, ensinam a reconhecer sincronias e desalinhos nas dimensões biológica, afetiva, fenomenológica, relacional e ambiental, e a responder a elas com precisão situada.

Desenvolvendo-se ao longo de um mês e permanecendo acessível durante todo o ciclo, permitem retornos conforme o tempo interno e o amadurecimento de novos reconhecimentos se tornam possíveis, cada eixo compreende:

  • Aulas Portal - Exposição densa e acessível que integra saberes e ocorre como construção de sentido. Instantes em que a ciência esclarece os mecanismos, a filosofia sustenta a leitura existencial e a literatura encarna a experiência vivida;
  • Audiolições Semanais - Desdobramentos que aprofundam o eixo em camadas sucessivas, pensados para acompanhar o cotidiano, combinando direcionamentos práticos, exercícios de reconhecimento corporal e perguntas reflexivas;
  • Cadernos de Integração - Espaço ativo de trabalho pessoal, com propostas de escrita, mapeamentos de ritmo, sínteses mensais e registros emergentes. Um território de elaboração contínua;
  • Leituras Curadas - Textos selecionados para ampliar a compreensão sensível do eixo, acompanhados de contextualização e questões que conectam estudo e experiência;
  • Materiais de Apoio - Glossários conceituais, visualizações, fragmentos teóricos e práticas que oferecem sustentação sem excesso informacional.

02. 

ENCONTROS MENSAIS

Reuniões ao vivo ao longo do ano, que apoiam a dimensão relacional do percurso e atuam como espaços de presença compartilhada, em que questões emergentes ganham densidade coletiva e vivências favorecem a corregulação e o senso de coletivo.

Cada encontro inclui:

  • Abertura e reconhecimento do momento vivido, sem exposição compulsória, favorecendo nomeação e escuta;
  • Aprofundamento conceitual a partir das perguntas do grupo, conectando experiência singular e leitura estrutural;
  • Práticas breves de ancoragem somática, quando pertinente ao eixo em curso;
  • Síntese e preparação do próximo movimento, favorecendo continuidade do percurso;
  • As gravações ficam disponíveis, mas a presença síncrona é central, já que certos reconhecimentos despertam com maior potência quando há testemunho mútuo de forma simultânea.

03. 

Imersões Trimestrais

Ao início de cada estação, honrando a sazonalidade e ciclicidade natural, vivências mais aprofundadas e longas do que os encontros semanais são vividas em grupo e dedicadas à observação, ao refinamento e à reconfiguração dos ritmos que perpassam a vida.

Em 2026, cada imersão se alinhará a um campo específico:

  • Ritmos Circadianos - Leitura ampliada dos zeitgebers, cronotipos, ritmos fisiológicos e suas implicações no cotidiano;
  • Subjetividade e Vínculo - Aprofundamento da experiência fenomenológica, da construção afetiva e dos processos de corregulação;
  • Curadoria Ambiental e Resistência - Análise dos ambientes que moldam o sistema nervoso e elaboração de estratégias sustentáveis;
  • Rituais e Incorporação - Criação de formas simbólicas que sustentam transições e encerramentos de ciclo.

04.

COMUNIDADE

Um espaço fechado de trocas mantém o vínculo ativo ao longo da jornada. Sem excessos ou estímulos constantes, disponibiliza testemunhos em momentos críticos e partilha de reconhecimentos relevantes. Nesse sentido, a mediação respeita a temporalidade do coletivo e modela um uso do tempo compatível com o que se pratica no próprio programa.

05. 

ACERVO E CURADORIA INTELECTUAL

Uma biblioteca em contínua atualização, composta por materiais que respondem e enriquecem as demandas reais do processo daqueles que, no momento, integram o DEVIR, incluindo:

  • Textos filosóficos integrais, acompanhados de guias de leitura;
  • Artigos científicos comentados, traduzindo rigor técnico em compreensão acessível;
  • Fragmentos literários que expandem a dimensão sensível da experiência;
  • Ações guiadas e visualizações conceituais.

devir

o conteúdo-base que orienta os eixos formativos e nos guia no decorrer do caminho

EIXO I – SINCRONIAS PERDIDAS

Genealogias do desalinho contemporâneo

Um convite a situar o tempo e compreender como a vida humana, enquanto espécie, chegou a um ponto em que os ritmos naturais, afetivos e sociais se fragmentaram. Para além de uma narrativa sobre aceleração, este eixo discorre sobre rupturas profundas que circundam desde a experiência de temporalidades cíclicas e coletivas – como o Pacha andina, o Dreamtime aborígene ou o ubuntu africano – até a consolidação de um tempo linear, homogêneo e disciplinado, moldado por relógios, fusos horários, luz elétrica e instituições modernas.

  • Principais territórios atravessados: a filosofia do tempo de Heráclito revela o fluxo perpétuo e a impossibilidade de fixidez; Agostinho descreve o tempo como distensão da alma, mostrando que nossa percepção não se mede em horas, mas se vive; Bergson distingue a duração qualitativa do tempo vivido da homogeneidade quantitativa que impomos; Husserl mostra como a consciência estrutura o fluxo temporal triadicamente; Heidegger nos lembra que nossa existência é sempre um ser-para-a-morte, e que o tempo é horizonte da autenticidade. Na história social, Thompson descreve a disciplina fabril e a padronização de fusos horários; Edison e a eletrificação transformam a noite em dia, comprimindo ritmos biológicos. Rosa, Han e Crary evidenciam os efeitos contemporâneos: aceleração tecnológica, autoexploração e 24/7 que desafiam a resistência natural do corpo e da mente.
  • Práticas vividas: durante uma semana, observa-se o próprio ritmo espontâneo, os picos e vales de energia, os momentos em que o tempo flui ou arrasta;  realiza-se uma auditoria sensível da aceleração –  uso de tecnologias, os espaços transitórios, os horários impostos pelas instituições; exercícios de classificação e percepção ajudam a distinguir o que pode ser ajustado individualmente, o que exige negociação relacional e o que se impõe estruturalmente, sempre com atenção à experiência vivida e sem culpa.
  • O que se conquista: mais leveza temporal e estrutural; a capacidade de perceber a dessincronias sem se responsabilizar por elas individualmente, e identificar em que níveis elas atuam; e responder com discernimento situado, equilibrando atenção ao corpo, ao tempo vivido e às demandas externas.

eixo ii – o ser biológico

Organicidades da Temporalidade

A evidência de que toda construção cultural, social ou afetiva repousa sobre um corpo biologicamente regulado, e que a capacidade de responder ao mundo de forma adaptativa emerge dessa estabilidade interna, este eixo oferece alfabetização profunda sobre como nossos ritmos biológicos estruturam percepção, atenção, energia e disponibilidade afetiva, e demonstra que a consciência corpóreo-afetiva depende da regulação fisiológica contínua, formando a base sobre a qual qualquer ajuste temporal posterior se apoia. Ensina, ainda, a identificação de padrões internos de fluxo, bloqueios e sobrecarga, possibilitando intervenções microrregulatórias conscientes e sustentáveis, e favorece a sabedoria sobre hábitos de sono, alimentação, movimento e interação social como componentes essenciais da arquitetura temporal do organismo.

  • Principais territórios atravessados: a cronobiologia molecular, através de estudos de nomes como Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young, revela como o núcleo supraquiasmático e genes-relógio sincronizam ciclos celulares e fisiológicos; Stephen Porges e Deb Dana, na teoria polivagal, demonstram como o sistema nervoso organiza estados de engajamento social, mobilização e colapso, moldando a experiência temporal e a sensação de segurança ou ameaça; Lisa Feldman Barrett e outros autores em neurociência afetiva evidenciam como o cérebro prediz e regula recursos corporais, mostrando que emoções são sinais sobre disponibilidade interna e capacidade de ação.

  • Práticas vividas: durante uma semana, observa-se o próprio ritmo biológico, identificando picos e vales de energia e momentos de fluxo ou arrasto temporal; realiza-se uma auditoria sensível do corpo e do ambiente – luz natural, alimentação, movimentos, interação social, sobrecarga tecnológica e demandas externas; exercícios de percepção e classificação ajudam a distinguir padrões de regulação, identificar desequilíbrios e perceber oportunidades de microrregulação realista, respeitando constrangimentos individuais e contextuais.

  • O que se conquista: a capacidade de perceber como o corpo organiza tempo, energia e atenção; entendimento profundo da relação entre ritmos biológicos e experiências sociais, afetivas e cognitivas; habilidade de intervir de forma localizada e eficaz sobre desequilíbrios; aumento de fluidez na experiência temporal e maior autocompreensão de padrões de alerta, descanso e engajamento, estabelecendo base sólida para alinhamentos posteriores nos eixos seguintes.

EIXO III – O SER SUBJETIVO

Fenomenologia da Consciência Temporal e Identidade Narrativa

Partindo do princípio de que a consciência, longe de ser uma sequência de instantâneos desconexos, configura-se como fluxo temporal contínuo, este eixo celebra a temporalidade vivida como tecido do viver e da identidade e revela que percepção de passado, presente e futuro é estruturada e integrada, e que rupturas na narrativa pessoal afetam diretamente ação, sentido e escolha. Propõe, além, identificar padrões de retenção, impressão e protensão, confrontar a finitude existencial, e iniciar o trabalho de reconfiguração narrativa, permitindo que múltiplas facetas do eu coexistam de forma legítima, dialogando entre si e integrando experiência, valores e possibilidades.

  • Principais territórios atravessados: Husserl evidencia a estrutura triádica da consciência (retenção – passado imediato, impressão – presente vivido, protensão – antecipação do futuro) e como distorções estruturais geram ansiedade, depressão ou trauma; Heidegger ilumina Dasein, Ser-para-a-Morte e autenticidade, mostrando que confrontar a finitude revela escolhas autênticas e define a temporalidade do agir; Ricoeur demonstra que identidade é narrativa, combinando mesmidade (continuidade corporal) e ipseidade (constância de caráter), e que rupturas exigem retessitura consciente da história pessoal; Merleau-Ponty distingue corpo vivido (Leib) e corpo objeto (Körper), evidenciando como hábitos, intencionalidades e affordances corporais sedimentam tempo, memória e ação; Pessoa apresenta a multiplicidade como constitutiva do ser, legitimando diferentes versões do eu, permitindo diálogo interno entre aspectos conflitantes e reconhecimento de diversidade de papéis e manifestações.

  • Práticas vividas: mapeamento triádico pessoal durante sete dias, observando fluxo, bloqueios ou hipertrofia temporal (retenção: passado flui ou congela; impressão: presença habitada ou evasiva; protensão: futuro se abre ou ameaça), correlacionando com estados corporais e biológicos; exercícios reflexivos sobre finitude e escolhas existenciais (projeto de vida, prioridades, legado pessoal); escrita estruturada para identificação de rupturas, mapeamento de ipseidade residual, e exploração de futuros possíveis (adjacent possibles); diálogo interno entre múltiplas facetas do eu, permitindo conversação consciente entre aspectos profissionais, familiares, criativos, emocionais, sem julgamento; revisão periódica para integração gradual de narrativa e experiência.

  • O que se conquista: clareza sobre padrões internos de percepção temporal e identidade; capacidade de reconhecer distorções estruturais da consciência e integrar rupturas pessoais; habilidade de gerenciar múltiplas facetas do eu com coerência, presença e autenticidade; desenvolvimento da compreensão do tempo vivido como recurso estratégico para decisões e ações significativas; fortalecimento da narrativa pessoal como ferramenta de sentido, resiliência e autorregulação existencial.

EIXO IV – VÍNCULO

Sincronia Relacional e Temporalidade Compartilhada

Ao assumir que a ritmicidade do existir emerge no entre, em eu-tu, este campo explora como vínculos constroem temporalidades compartilhadas, e sinaliza que relações profundas são sistemas de alinhamento biológico e emocional; que padrões de apego, corregulação e negociações temporais estruturam a vida cotidiana; e que rupturas relacionais, perdas e lutos não são meros buracos emocionais, mas crises sistêmicas de temporalidades compartilhadas construídas ao longo de anos. Sugere-se, nesse espaço, a identificação de padrões de apego, a observação de cronotipos diádicos, a prática da corregulação e a negociação de ritmos, ampliando a possibilidade de  relações resilientes, autênticas e temporalmente coesas.

  • Principais territórios atravessados: Bowlby evidencia apego como sistema evolutivo de sobrevivência e regulação emocional; Ainsworth, via Situação Estranha, identifica quatro padrões de apego (seguro, evitativo, ansioso, desorganizado) e suas projeções probabilísticas na vida adulta; Mary Main mostra que adultos com apego inseguro podem desenvolver segurança através de relações seguras prolongadas (earned security); Beatrice Beebe evidencia microssincronização mãe-bebê, revelando que apego seguro depende de reparações rápidas e apegos inseguros de dessincronização precoce; Roenneberg demonstra como diferença de cronotipos diádicos (>2h) correlaciona com dessincronização sexual, conflito e menor satisfação; Porges e Deb Dana revelam corregulação neurobiológica, mostrando como ritmos cardíacos, cortisol e estado ventral de um influenciam outro; Jim Coan, com Social Baseline Theory, evidencia que a presença de outros significativos reduz carga fisiológica e amplia percepção de segurança; Attig, Stroebe & Schut descrevem luto como colapso de temporalidade compartilhada, e o Modelo de Processo Dual revela oscilação saudável entre perda e restauração; Levinas e Buber evidenciam ética relacional e temporalidade transcendente, mostrando que futuros compartilhados (como filhos, projetos, legados) ultrapassam o indivíduo.

  • Práticas vividas: mapeamento de padrão de apego adulto e observação de padrões diádicos; identificação de dessincronização de cronotipos e implementação de estratégias de negociação e microrregulações individuais; prática de corregulação explícita (presença regulada, respiração conjunta, contato consensual, escuta sem intervenção); exercícios graduais de vulnerabilidade titulada ou tolerância à separação; enfrentamento do luto via Modelo de Processo Dual, com confrontos temporizados com perda e restauração subsequente; criação de rituais de continuing bonds; reconstrução de zeitgebers sociais mínimos; práticas incorporam earned security, microssincronização precoce e respeito a cronotipos biológicos.

  • O que se conquista: capacidade de reconhecer padrões de apego e sua plasticidade; habilidades para sincronização relacional consciente, negociando ritmos e respeitando diferenças de cronotipos; competência em corregulação, oferecendo e recebendo presença reguladora; manejo saudável do luto e de rupturas relacionais sem colapso da temporalidade compartilhada; desenvolvimento de relações mais resilientes, autênticas e integradas ao tempo vivido coletivo; percepção da interdependência entre biologia, emoção e vínculo social como fundamento de experiências compartilhadas.

EIXO V – MEIO

Cronopoder e Ecologias Temporais

Ao compreender que os ambientes estruturam e dessincronizam o tempo vivido, este eixo explora como pistas externas – luz, temperatura, ritmos sociais e cronopoder institucional – organizam a experiência temporal e afetam sono, atenção, energia e percepção de segurança, e mostra que a dessincronia contemporânea não é mera sensibilidade individual, mas incompatibilidade estrutural espécie-ambiente, exigindo estratégias de microrregulação, negociação institucional e resistência coletiva.

Principais territórios atravessados: Lewy e Gooley mostram como células ganglionares retinianas intrinsecamente fotossensíveis, contendo melanopsina, detectam luz azul (~480 nm) e sinalizam diretamente o núcleo supraquiasmático, sincronizando ritmos circadianos; Foucault evidencia disciplina temporal institucional, demonstrando que escolas, hospitais e empresas disciplinam corpos via horários rígidos, regulando atividade, descanso e atenção; Jonathan Crary detalha a captura capitalista do tempo, mostrando a abolição gradual do sono e a vigilância 24/7, com farmacologia como extensão da tentativa de captura total; Seattle School District demonstra que o início escolar tardio alinha cronotipo adolescente, melhora desempenho e reduz acidentes, evidenciando conflito entre biologia e cronopoder; Roenneberg apresenta efeitos de ritmos sociais fragmentados e cronotipos conflitantes sobre sono, energia e satisfação coletiva; pesquisas sobre SAD em latitudes altas evidenciam que fotoperíodo curto no inverno altera humor, energia e metabolismo, com fototerapia matinal comprovadamente restaurando alinhamento circadiano; curadoria ambiental aplicada mostra que maximizar luz natural matinal, reduzir exposição azul noturna, ajustar temperatura do quarto e estruturar ritmos sociais cotidianos promove coerência temporal; estratégias de resistência contemplam microrregulações individuais, negociações institucionais, escolhas radicais de vida e ação coletiva transformadora, revelando que alinhamento temporal é prática possível mesmo diante de cronopoder estrutural.

Principais tópicos: Rosa (aceleração social, erosão do presente, ressonância vs. alienação temporal); Han (sociedade do cansaço, autoexploração, violência neuronal); Foucault (cronopolítica, disciplina temporal, cronopoder); hiperestimulação ambiental; biofilia e sincronização ecossincrônica; arquitetura de ambientes temporalmente saudáveis.

Aplicação:

— Psicólogos e terapeutas: diferenciação entre sofrimento individual (tratável psicoterapeuticamente) e sofrimento estrutural (requer intervenção socioambiental); validação de sintomas como respostas legítimas a estruturas insustentáveis; construção de intervenções de redução de dano quando transformação estrutural impossível; advocacy por políticas temporalmente sensíveis;

— Médicos e profissionais da saúde: reconhecimento de burnout como patologia estrutural, não individual; análise crítica de ambientes hospitalares sob perspectiva cronopolítica; identificação de limites da intervenção farmacológica em condições socialmente determinadas; desenvolvimento de protocolos institucionais que respeitem ritmos biológicos;

— Educadores: análise crítica de estruturas escolares disciplinares; reconhecimento de cronopoder institucional sobre alunos e professores; implementação de ritmos educacionais contra-hegemônicos; validação de ritmos de aprendizagem diversos contra pressões por uniformização temporal; advocacy por políticas educacionais temporalmente sustentáveis;

— Consultores e gestores: reconhecimento de limites éticos do coaching produtivista; diferenciação entre otimização individual e transformação estrutural necessária; análise de organizações sob perspectiva de aceleração social e autoexploração; desenvolvimento de culturas organizacionais que resistam a cronopoder mercadológico; advocacy por condições de trabalho temporalmente dignas.

MOVIMENTO VI — PROTOCOLOS MULTINÍVEIS E LINHAS DE CUIDADO

Junho e julho | Aulas 28-35

Descrição: traduz fundamentos teóricos em metodologia clínica aplicada através de oito Linhas de Cuidado e cinco níveis de intervenção. Demonstra como construir protocolos personalizados que articulam múltiplos níveis simultaneamente, respeitando hierarquias bottom-up e top-down. Cada Linha de Cuidado integra teoria acumulada com protocolos clínicos concretos para condições frequentes.

Objetivos: dominar arquitetura de intervenção multiníveis (ritmos, autonômico, afeto, vínculos, ambiente, narrativa); construir protocolos clínicos fundamentados; reconhecer quando priorizar soma, vínculo, narrativa ou ambiente; desenvolver flexibilidade metodológica sem ecletismo; aplicar conhecimento acumulado em casos clínicos reais.

Principais tópicos: cinco níveis de intervenção e hierarquia integrativa; titulação e pendulação (Levine); oito Linhas de Cuidado detalhadas (ansiedade, insônia, parentalidade, neurodivergência, transições existenciais, burnout, trauma, doenças crônicas); cronofarmacologia; integração soma-narrativa; limites de intervenção em condições estruturais.

Aplicação:

— Psicólogos e terapeutas: construção de planos terapêuticos integrados para condições complexas; manejo de ansiedade através de intervenção multiníveis (ritmos, autonômico, narrativa); protocolos de trauma respeitando hierarquia soma-narrativa; trabalho com transições existenciais e construção de identidade narrativa; diferenciação entre quando trabalho individual suficiente e quando requer intervenção socioambiental.

— Médicos e profissionais da saúde: protocolos não-farmacológicos para insônia baseados em cronobiologia; manejo de doenças crônicas considerando temporalidade do corpo adoecido e finitude antecipada; aplicação de cronofarmacologia; trabalho interdisciplinar integrando intervenções somáticas e narrativas; reconhecimento de limites da medicina em condições socialmente determinadas.

— Educadores: protocolos para neurodivergência que acomodem ritmos atípicos em vez de normalizá-los; trabalho com parentalidade e sincronização familiar; manejo de transições desenvolvimentais respeitando temporalidades lentas de maturação; criação de ambientes educacionais que integrem múltiplos níveis de cuidado; advocacy quando condições estruturais impedem cuidado adequado.

— Consultores e gestores: protocolos organizacionais para prevenção e manejo de burnout considerando múltiplos níveis (ritmos individuais, corregulação equipe, redução carga estrutural); desenvolvimento de culturas organizacionais temporalmente sustentáveis; reconhecimento explícito de quando consultoria individual insuficiente e transformação estrutural necessária; posicionamento ético diante de demandas por produtividade insustentável.


studium temporale

círculo de encontros ao vivo: agenda 2026

CICLO I — FUNDAÇÕES TEMPORAIS

Janeiro a abril 

Fundamentos epistemológicos da Ecologia Temporal. Genealogias filosóficas do tempo (Husserl, Bergson, Heidegger, Ricoeur), cronobiologia aplicada (Roenneberg), teoria polivagal (Porges) e neurociência afetiva construcionista (Barrett). Introdução às Dobras Temporais e exploração do Tempo do Ser – dimensão biológica e fenomenológica da existência.

8 encontros | Discussões teóricas aprofundadas + supervisão coletiva de casos clínicos.

Imersão final | Laboratório prático: mapeamento cronobiológico pessoal, regulação autonômica ao vivo, grounding fenomenológico.

Para profissionais: identificação de dimensão temporal em queixas clínicas; protocolos regulação somática precedendo narrativa; cronobiologia aplicada a insônia, burnout, ansiedade; reconhecimento de ritmos biológicos em contextos educacionais e organizacionais.

CICLO II – DIMENSÃO RELACIONAL E AMBIENTAL

Maio a julho 

Teoria do apego e trauma relacional (Bowlby, Siegel, Van der Kolk, Levine). Sociologia crítica da aceleração (Rosa), sociedade do cansaço (Han) e cronopolítica (Foucault). Tradução sistemática de fundamentos teóricos em metodologia clínica: arquitetura de intervenção multiníveis e Linhas de Cuidado.

6 encontros | Discussões teóricas + supervisão de casos complexos integrando múltiplos níveis.

Imersão final | Laboratório prático: vocabulário afetivo expandido (Barrett), co-regulação vincular em duplas, recategorização emocional.

Para profissionais: protocolos trauma relacional via titulação e corregulação; diferenciação entre sofrimento individual e estrutural; análise de burnout organizacional; identificação de padrões de apego em contextos clínicos, educacionais e institucionais.

CICLO III – Fenomenologia literária

Agosto a outubro

Literatura como laboratório fenomenológico. Exploração de memória involuntária (Proust), duração (Bergson), fluxo de consciência (Woolf), instante absoluto (Clarice Lispector), tempo burocrático (Kafka) e futuros ramificados (Borges). Articulação sistemática entre análise literária e aplicação clínica concreta.

6 encontros | Discussões literárias + supervisão casos via lentes literárias.

Imersão final | Laboratório prático: desaceleração corporal (Rilke: slow walking coletivo, tédio terapêutico), atenção monocrônica (Han: tarefa única ininterrupta vs. multitasking), conexão ecossincrônica via biofilia (Hesse: observação natureza, ritmos não-humanos), escrita fenomenológica.

Para profissionais: uso de metáforas literárias como ferramentas terapêuticas; refinamento de sensibilidade fenomenológica; nomeação de experiências inefáveis através de literatura; reconhecimento de temporalidades do adoecimento e transições existenciais.

CICLO IV – INTEGRAÇÃO

Novembro e dezembro 

Conclusão fenomenologia literária (Hesse, Pessoa, Rilke, Goethe). Retrospectiva coletiva anual. Integração completa dos 3 Tempos (Ser, Vínculo, Meio) através de apresentações de casos demonstrando mapeamento rigoroso, aplicação sistemática e resultados alcançados. Certificação LATCHA I.

3 encontros | Síntese final + retrospectiva anual + abertura 2027.

Imersão final | Apresentações individuais casos integrados ( Dobras + níveis + 3 Tempos), celebração comunitária, certificação.

Para profissionais: consolidação de competências para construção de planos terapêuticos/interventivos completos fundamentados em Ecologia Temporal; capacidade de articular rigorosamente múltiplos níveis de intervenção e reconhecer limites éticos de atuação.

STUDIUM TEMPORALE

OS PILARES QUE SUSTENTAM ESTE CAMPO

O Studium se estrutura como uma síntese integrativa rigorosa. Cada conceito é situado em sua genealogia intelectual, articulado a outras tradições disciplinares e traduzido em implicações clínicas concretas. Cronobiologia molecular dialoga com fenomenologia husserliana; neurociência afetiva encontra sociologia crítica; teoria do apego conversa com microtiming interacional. A proposta é cultivar uma arquitetura conceitual consistente, capaz de sustentar pensamento preciso e práticas de intervenção refinadas.

O Studium constitui um círculo intelectual vivo, orientado por participação, diálogo e aprofundamento compartilhado. A aprendizagem emerge da interação: discussões conceituais refinam a compreensão, supervisões em grupo revelam nuances clínicas, práticas conjuntas desenvolvem sensibilidade somática. Veteranos acompanham iniciantes, casos complexos são analisados por múltiplas perspectivas, dúvidas individuais convertem-se em questões comuns. Pertencer ao Studium é ingressar em uma trama de pensamento e cuidado na qual o conhecimento se torna criação contínua.

Compreender temporalidade é cultivar sensibilidade incorporada. Por isso, o Studium articula atividades somáticas rigorosas - respiração polivagal, grounding, pendulação, técnicas de regulação autonômica e movimentos neurogênicos - como parte estrutural da formação. Habitar a própria temporalidade com presença é o que permite reconhecer e trabalhar a temporalidade do outro; e, quando teoria ganha corpo, adquire espessura, assim como a prática, ao ancorar-se em fundamentos sólidos, se converte em método.

A fenomenologia é um método de observação rigorosa da experiência vivida, que exige atenção ao modo como o tempo se inscreve em cada gesto, percepção e relação. No Studium, essa escuta é cultivada pela suspensão de pressupostos e pelo acompanhamento cuidadoso das formas temporais que estruturam as vivências - um compromisso que se estende ao campo literário, que indaga a temporalidade com profundidade rara e oferece paisagens sensíveis para apreender ritmos internos, inflexões afetivas e variações de presença. Nesse ambiente formativo, profissionais desenvolvem uma percepção capaz de alcançar dobras temporais e ritmos relacionais que, em geral, permanecem ocultos, abrindo acesso à lógica íntima que organiza cada experiência.

Intervir na temporalidade humana implica responsabilidade ética de alta delicadeza. O Studium defende o pensamento de que todo fazer - clínico, educativo ou institucional - carrega pressupostos temporais e produz efeitos que atravessam de estar vínculos e processos internos. Forçar ritmos de cura pode reabrir feridas; ajustar experiências a tempos que não pertencem ao sujeito pode distorcer cronotipos; desconsiderar dinâmicas relacionais pode aprofundar estados de isolamento. Um cuidado temporalmente informado, portanto, reconhece a singularidade de cada sistema vivo, respeita o ritmo que o constitui e age com sensibilidade às condições diversas que constituem a experiência.

A maestria, seja na clínica, no chão educacional, entre outros setores, amadurece quando a prática encontra reflexão supervisionada. No Studium, a supervisão mensal em grupo funciona como um espaço de aprendizagem estruturada, no qual casos são apresentados com rigor, examinados por diferentes referenciais conceituais e discutidos em diálogo qualificado entre pares, um processo que amplia o campo de percepção, revela pontos antes invisíveis, convoca hipóteses mais precisas e favorece a composição de estratégias de zelo mais finas. Profissionais que se engajam nesse percurso desenvolvem humildade epistêmica, consistência metodológica e sofisticação laboral, qualidades essenciais para atuar diante da complexidade dos sistemas que vivem.

STUDIUM TEMPORALe

a TRAJETÓRIA FORMATIVA

o que sustenta
este campo DE reorganização vital

O Studium Temporale estabelece uma fundação intelectual que transforma radicalmente a compreensão e o fazer profissional de seus membros. Ao ingressar no programa, cada participante integra o LATCHA – Laboratório de Arquitetura Temporal e Cronobiologia Humana Aplicada, uma comunidade de pesquisa e prática dedicada ao avanço sistemático do conhecimento temporal aplicado. A formação desenvolve capacidades que transcendem competências técnicas convencionais: profissionais adquirem inteligência temporal que permite reconhecer padrões estruturais de adoecimento onde outros identificam apenas sintomas isolados, articular intervenções fundamentadas que integram dimensões biológicas, relacionais e socioculturais sem reducionismo, e construir protocolos metodologicamente rigorosos que produzem resultados mensuravelmente superiores em seus contextos de atuação. A sofisticação diagnóstica conquistada, a precisão interventiva desenvolvida e a profundidade teórica assimilada conferem aos membros do LATCHA reconhecimento como referências em suas respectivas áreas – não por acúmulo de credenciais, mas por excelência demonstrada através de resultados consistentes e contribuições substantivas ao campo.

Nesse sentido, a sociedade beneficia-se amplamente do trabalho desenvolvido por profissionais formados no LATCHA. Clientes psicoterapêuticos experimentam remissão de sintomas que resistiam a abordagens convencionais quando suas estruturas temporais subjacentes são adequadamente identificadas e trabalhadas. Crianças e adolescentes prosperam academicamente quando educadores reconhecem e acomodam cronotipos individuais, respeitam ritmos ultradianos de atenção e constroem ambientes pedagógicos temporalmente sustentáveis. Trabalhadores atuam com menor desgaste quando gestores compreendem burnout como fenômeno estrutural relacionado a cronopoder e implementam políticas organizacionais que respeitam, em vez de explorar, a temporalidade humana. Famílias reconstroem sincronias relacionais perdidas quando terapeutas identificam desalinhos vinculares e facilitam corregulação através de intervenções teoricamente fundamentadas. Pacientes hospitalares recuperam-se mais eficazmente quando equipes médicas consideram cronobiologia na administração de tratamentos e na organização de rotinas institucionais. Arquitetos e designers criam espaços que sustentam regulação temporal quando compreendem como luz, som e ritmos ambientais afetam sistemas circadianos e autonômicos. O impacto coletivo multiplica-se exponencialmente: protocolos desenvolvidos por membros individuais são refinados coletivamente, sistematizados rigorosamente, disseminados amplamente e replicados em contextos diversos, expandindo progressivamente o alcance social da Ecologia Temporal como disciplina aplicada.

O investimento

R$ 1197,00 / ano

Parcelamento disponível, com acréscimo de juros.

*Preço válido até dia 31/12/2025. A partir de janeiro de 2026, o valor original se consolida: R$ 1497,00 / ano à vista, também com parcelas acessíveis e taxas adicionais.

Garantia de 7 dias. 

STUDIUM TEMPORALE

um campo àqueles que reconhecem que viver é ritmar, e que toda prática - científica, terapêutica ou criativa - enraiza-se em uma ecologia temporal

Algumas bolsas parciais estão disponíveis para graduandos e profissionais em início ou transição de trajetória – entre áreas, ritmos ou modos de atuar -, comprometidos em cultivar uma prática sintonizada à dimensão temporal da vida e em aprofundar seus estudos em temporalidade, corpo e ecologias do cuidado.

studium temporale

Pronto(a) para pertencer a um campo disruptivo de tempo aplicado às diferetes experiências humanas e desenvolver uma prática profunda, transformadora, que atinge além do superficial?

O Studium ocorre de modo online e permite acesso pleno de qualquer canto do mundo. Onde quer que você se encontre, este conhecimento se fará presente e reconfigurará, de maneira profunda e permanente, seu trabalho e a forma como observa, intervém e promove o cuidado.

Em caso de dúvidas ou desejo de busca por mais detalhes, entre em contato.

Há trajetórias que pedem aplicação, estrutura e criação compartilhada – caminhos em que o pensamento temporal se converte em estratégia, linguagem e intervenção concreta. Os Projetos e Parcerias existem para traduzir a Ecologia Temporal em colaboração com profissionais, instituições e espaços que buscam integrar a inteligência dos ritmos vivos a contextos clínicos, educativos, organizacionais e ambientais.

projetos e parcerias

O QUE

Temporalidade como eixo de alinhamento para profissionais, espaços e ecologias de prática

Aplicar a Ecologia Temporal em diferentes escalas é reconhecer que o tempo é a própria força organizadora da vida coletiva. Cada sistema, seja um corpo, uma instituição ou um território, vibra segundo ritmos próprios, que se desordenam quando submetidos à lógica linear de manifestação. Através dos Projetos e Parcerias, a Ecologia Temporal atua como tecnologia epistemológica e orientada para restaurar coerência rítmica – um trabalho que une ciência, filosofia e desenho sistêmico para reorganizar processos, vínculos e ambientes de forma viva.

Essa prática temporal, quando inserida em organizações, políticas e espaços, torna-se gesto de reestruturação cultural. Em lugar de intervenções fragmentadas, propõe-se uma nova ecologia do tempo: um modo de reconfigurar modelos de estar, produzir, cuidar e criar, a partir de uma ética da interdependência. Cada projeto, então, é concebido como campo de coesão, em que o ritmo de um corpo ou grupo se alinha ao compasso mais amplo da vida, e onde o pensar, o agir e o zelar ocupam uma mesma arquitetura temporal.

Em outras palavras, diz-se que os Projetos e Parcerias ocorrem como uma plataforma de pesquisa viva que aproxima saberes e práticas, ciência e sensibilidade, política e cuidado. Aqui, o tempo deixa de ser recurso a ser administrado e torna-se matéria de recomposição – o fundamento de uma cultura que aprende a se sincronizar com o que é vivo. O que se produz a partir desse tanto ultrapassa a fronteira da inovação metodológica, e alcança a possibilidade singular de uma nova consciência temporal coletiva.

projetos e parcerias

FRENTES DE ATUAÇÃO

01. Intervenção e educação temporal

Campo de atuação voltado à transposição prática da inteligência dos ritmos vivos em trajetórias profissionais, educativas e institucionais. Cada ação, por aqui, é um laboratório de sincronia, e um exercício de atenção, presença e coerência temporal aplicado a contextos diversos.

— Supervisão Cronoepistêmica: acompanhamento especializado para desenvolvimento de protocolos autorais, fundamentados em coerência rítmica e leitura sistêmica do tempo nas práticas profissionais.

— Mentoria de Presença Temporal : processo de construção de presença profissional ancorada em ritmo, autenticidade e relação, em contraponto à temporalidade produtivista que segmenta o fazer contemporâneo.

— Consultoria de Ritmos Organizacionais: Reconfiguração de rotinas, processos e culturas, introduzindo métricas e rituais temporais capazes de restaurar cadência ecológica e integridade coletiva.

— Arquitetura Temporal de Ambientes: cocriação de espaços sincronizados com os ciclos naturais e os fluxos humanos, em que o espaço torna-se tecnologia viva de regulação temporal e cuidado coletivo.

02. integração e cuidado temporal

Projetos que aplicam os princípios da Ecologia Temporal em contextos de saúde, reabilitação e bem-estar coletivo, para conectar práticas existentes ao campo da regulação rítmica.

— Pontes Clínicas Temporais: colaborações com profissionais de saúde para integrar princípios de sincronia e regulação temporal em atendimentos, protocolos e programas terapêuticos.

— Programas de Coerência Temporal Coletiva : iniciativas desenvolvidas em centros de saúde, escolas e organizações para restaurar cadência, reduzir disritmias e promover Ecossincronia comunitária.

— Protocolos de Reabilitação Rítmica: intervenções estruturadas para a recuperação funcional de ritmos biológicos, emocionais e relacionais.

— Plataformas de Educação Temporal Aplicada: formação e difusão de metodologias temporalmente conscientes voltadas à ampliação dos resultados clínicos, educativos e sociais.

PROJETOS E PARCERIAS

Ideal para quem

Profissionais de saúde mental, psicoterapia, fisiologia ou medicina integrativa encontram na Ecologia Temporal um modo de reconhecer que cada disritmia – insônia, estresse crônico, menopausa, lutos simbólicos ou jet lag social -não é um episódio isolado, mas a expressão de desarmonia entre corpo, vínculo e ambiente. A prática deixa de ser apenas técnica e torna-se percepção dos ritmos vitais, permitindo intervenções que restituem cadência, integração e sensibilidade ao tempo vivido.

Formadores de programas de aprendizagem e educação se engajam em projetar experiências que restauram atenção, memória e plasticidade cognitiva, e rompem com a lógica aceleracionista que fragmenta o aprendizado. Cada ação e percurso, tornam-se oportunidade de alinhar os tempos individuais e coletivos, de criar ecossistemas de aprendizagem ritmados, nos quais engajamento profundo e desenvolvimento integral se sustentam na harmonia temporal.

Escritores, artistas e curadores percebem que a atenção plena, o fluxo inventivo e os estados de sensibilidade elevada dependem de tempos internos sincronizados com o mundo. A ciência e a filosofia do tempo oferecem ferramentas para expandir processos criativos, prolongar a vitalidade imaginativa e estruturar o pulso da produção artística, transformando inspiração, prática e reflexão em uma cadência que mantém vivo o gesto criador.

Criadores de ambientes, objetos e sistemas compreendem que o espaço é tempo tangível e que ritmos humanos e biológicos se manifestam no corpo e na percepção. Projetar espaços circadianos, objetos e sistemas que respeitem ciclos naturais e humanos significa tornar o ambiente capaz de induzir saúde, sono restaurador, desempenho cognitivo e experiências temporais qualificadas, alinhando o físico, o simbólico e o rítmico.

Tomadores de decisão, gestores e organizadores de equipes descobrem que a gestão do tempo não se resume a produtividade, mas envolve regeneração, sincronização e coerência coletiva. Incorporar métricas biotemporais, práticas de saúde circadiana e atenção aos ritmos humanos essenciais transforma a cultura organizacional, reconecta pessoas e processos, e estabelece estruturas que equilibram desempenho, bem-estar e vitalidade de forma sustentável e integrada.

PROJETOS E PARCERIAS

Expandir a aplicação do tempo como inteligência viva

Este é o espaço para integrar ecologias temporais que estruturam práticas, espaços e saberes em sistemas ativos, equilibrados e significativos. Aqui, o tempo atua como matriz dinâmica, orientando decisões, ambientes e trajetórias profissionais de modo a reconectar indivíduos, equipes e instituições aos ritmos que sustentam o bem-viver.

QUEM SOMOS

Prof. Esp.

Karla Knoblauch

Cronobiologista e neurobióloga (UFPR), especialista em Ritmos Biológicos, Medicina do Sono, Neurociência Circadiana e Afetiva. Professora, pesquisadora e ensaísta, é membro da Academia Brasileira do Sono e possui formações em instituições de referência como USP, UM, LMU e Duke. Fundadora da Noblau Co e do LATCHA – Laboratório de Arquitetura Temporal e Cronobiologia Humana Aplicada, autora da publicação Entre Tempos no Substack, e criadora da disciplina Ecologia Temporal, dedica-se à investigação do tempo como fundamento biológico, ético e ontológico da existência. Desenvolveu a Teoria dos Três Tempos, a metodologia Arquitetura Temporal Aplicada e a tecnologia SyncVitae™, sistemas que articulam ciência, filosofia e arte na tarefa de restaurar a sincronia entre ritmos biológicos, sociais e ambientais. Sua atuação percorre múltiplas escalas – da clínica à escrita, da formação de profissionais à criação de experiências imersivas – movida pela convicção de que o tempo é a arquitetura invisível da vida. Entre o rigor experimental e a imaginação ecológica, sua obra propõe uma epistemologia do ritmo e uma ética da sincronia: pensar e cuidar do humano em compasso com o cosmos e com a Terra.

Prof. DR.

Salvador Paganella

Biólogo, Mestre e Doutor em Microbiologia, Parasitologia e Patologia (UFPR), com Pós-Doutorado em Entomologia, especialista em Biologia Molecular, Genética e Análise Crítica de Dados. Pesquisador, docente e curador científico, possui experiência em instituições de referência e reúne investigação laboratorial, supervisão acadêmica e desenvolvimento de protocolos avançados. Na Noblau Co, atua como guardião da precisão analítica e traduz complexidade biológica em ferramentas aplicáveis à Ecologia Temporal. Sua atuação percorre múltiplas escalas – da orientação científica à supervisão de projetos, da concepção de protocolos à participação em formações e experiências imersivas – movida pela convicção de que o conhecimento é a ponte entre evidência, prática e transformação. Entre o detalhe microscópico e a perspectiva ampliada dos sistemas vivos, sua obra propõe uma epistemologia do ritmo e uma ética da sincronia: pensar e atuar sobre o vivo em compasso com os ritmos humanos, sociais e planetários.

Os primeiros passos para alinhar EXISTÊNCIAS, práticas e espaços aos ritmos que sustentam a vida.

Quando a direção não é clara, a sincronia revela o caminho

Seja qual for o ponto de partida – a busca por clareza existencial, a otimização de vitalidade e energia, ou a construção de práticas e negócios conscientes – a Noblau Co oferece estratégias integradas e suporte especializado para revelar caminhos coerentes com os ritmos que estruturam corpo, mente e relações.

nossa comunidade no substack

O espaço intelectual que você estava procurando

Seja bem-vindo(a) ao Entre Tempos. Através de mentes abertas e conversas inspiradoras, esse espaço abre portas para a diversidade de corpos e histórias que evoluem por meio da prática de alinhamento. Juntos, apoiamos uns aos outros a continuar e ampliar a jornada contínua de nos tornarmos nossas melhores e mais reguladas versões.

LEVE A NOBLAU CO ATÉ SEU TEMPO OU ESPAÇO

Explorar, compreender e transformar o tempo como ponte para a saúde e regeneração.

A presença da Noblau Co pode se manifestar em diferentes escalas e contextos:

01. 

Para você: sessões individuais e imersões, em português ou inglês, que oferecem uma experiência de alinhamento temporal personalizada e transformadora.

02. 

Para seus projetos e instituições: colaborações estratégicas, programas autorais e processos formativos conduzidos integralmente online, conectando pessoas e equipes ao redor do mundo para restaurar a coerência entre tempo, vida e criação.

Seja em jornada pessoal ou em atuação coletiva, nossos processos se moldam com profundidade, rigor científico e presença.

Preencha o formulário abaixo para definirmos, juntos, formato que melhor acolhe sua travessia temporal.

NOBLAU CO

para quem cultiva a sincronia interna como caminho e faz do tempo uma morada possível

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