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Um espaço onde o tempo se reorganiza
e a vida retoma seu pulso natural.

Um santuário dedicado ao cuidado
regenerativo, à lucidez sensível do pensar
e ao cultivo de uma existência alinhada aos ciclos que nos sustentam.

aos que buscam caminhos inteiros de restauração

um convite a habitar o instante em suas camadas invisíveis

— e a reencontrar, na sincronia entre elas, o movimento que devolve coerência ao viver —

Há uma cadência silenciosa que sustenta toda forma de vida, e, quando dela nos desenraizamos, o organismo se dispersa, o relacional se enrijece e a presença se estilhaça. A Noblau Co nasce da escuta desse descompasso, e do anseio de restituir às experiências humanas um ritmo capaz de, novamente, apoiar o ser e o mundo. Aqui, reorientação é gesto e discernimento: afinar o fluxo entre dentro e fora, entre sentir e responder, entre o que o ambiente pede e o que se pode ofertar. Por isso, recusamos a lógica fragmentada da contemporaneidade, e integramos ação e reflexão, corpo e mente, prática e teoria em um mesmo campo vivo.

Nesse sentido, disponibilizamos vivências que reorganizam os ritmos internos e relacionais e encontros que ampliam a compreensão, criando um espaço onde imersões práticas se articulam à densidade intelectual: ciência dialoga com filosofia, cronobiologia se aproxima da fenomenologia, e a experiência ganha rigor conceitual a partir da sensibilidade lieterária. Mais que técnicas ou repertórios, é um território de aprofundamento, no qual se aprende não apenas o caminho da regeneração da vida, mas o princípio que o orienta; não apenas o protocolo, mas a coerência temporal que lhe dá forma. Aqui, transformar o modo como se atravessa a existência e cultivar a leitura do próprio tempo tornam-se um mesmo movimento de clareza que objetiva a sincronia entre os três tempos que nos moldam.

– O SER –
Singularidade, pessoalidade, biologia

Os ritmos individuais, que vibram em si. A cadência dos ciclos internos, da energia que se esgota e se refaz, da saúde que se perde e resgata. É o autocontato, a regulação, e também a subjetividade vivencial, onde se aprende a notar os sinais sutis que pedem pausa ou movimento, silêncio ou expressão.

– O VÍNCULO –
RELACIONAL, narrativa, COrregulação

O instante que se revela nos encontros, nas histórias que se dividem, nos gestos cotidianos, nas palavras ditas e não ditas. Nessa perspectiva, o tempo é relação, expande-se no cuidado, dissolve-se nas esperas, multiplica-se quando partilhado. É o campo onde presença se torna reciprocidade.

– O MEIO –
natureza, o que há no mundo, criação

A temporalidade cosmológica e ecológica, e o sentido do que se recebe e pratica em relação àquilo que nos cerca. A relação com a ancestralidade e ecologias, com os vazios e excessos, e a capacidade de contemplar o significado, as estruturas que formam o trabalho e o impacto sociocultural.

devir

Um percurso dedicado a investigar a vida a partir de seus ritmos – biológicos, nervosos, relacionais e simbólicos. Um território de imersão mensal onde se aprende a reconhecer padrões de sincronia e desencontro, integrando corpo, vínculos e narrativa como dimensões inseparáveis do viver. Uma travessia que desenvolve discernimento rítmico e capacidade de auto e corregulação aplicada, para conduzir escolhas e movimentos com maior coesão ao longo do tempo.

DEVIR

A NATUREZA DO VIR-A-SER

DEVIR nasce da compreensão de que a vida é processo e impermanência. De Heráclito à filosofia contemporânea, o humano é entendido como alguém que se constitui no tempo, perpassado por ritmos biológicos, afetivos, relacionais e simbólicos – uma condição que implica movimento, transformação e descontinuidade como traços próprios da existência, frequentemente obscurecidos por uma cultura orientada por normas de estabilidade, aceleração e desempenho contínuo.

DEVIR surge, portanto, como espaço de reconexão com essa natureza rítmica e relacional do viver, organizando-se como uma comunidade cíclica, na qual, a cada mês, um tema orienta uma imersão compartilhada, que se aprofunda e entra em ressonância e integração. Sua própria forma reflete aquilo que investiga: o vir-a-ser como instante contínuo, não linear, no qual compreensão e vivência se transformam mutuamente ao longo do tempo.

Nesse contexto, saberes embasados em cronobiologia, neurociência afetiva, neurofisiologia e filosofia operam como fundamentos para a leitura da experiência concreta. Ali, conhecem-se estados de regulação, padrões de alinhamentos e desalinhos, narrativas vinculares e influências culturais que modulam corpo e percepção.

O propósito de DEVIR é cultivar discernimento e sintonia entre corpo, vínculos e o mundo, e favorecer autonomia e protagonismo ajustados ao espaço-tempo real do existir.

Uma perspectiva para quem deseja reencontrar sua ritmicidade fundamental e regenerar reorganizar corpo, relações e ações com inteireza, suficiência e vividez.

DEVIR

a quem se destina

a Corpos em busca de regulação

Pessoas que desejam compreender como sintomas recorrentes podem refletir desorganizações cronobiológicas e neurofisiológicas, investigando a arquitetura circadiana, a modulação autonômica e os circuitos neuroendócrinos que apoiam a vitalidade, a partir de uma abordagem integrada da saúde física e mental ancorada na ciência da regulação nervosa e na ecologia temporal do organismo.

a Pessoas reconstruindo padrão emocional

Sujeitos que buscam aprofundar-se na ciência da construção emocional, reconhecendo que emoções emergem de processos preditivos do cérebro em interação com contexto e aprendizagem. Indicado para aqueles que anseiam ampliar a granularidade afetiva, sofisticar a leitura corporal e assumir responsabilidade ativa na configuração dos próprios estados emocionais.

a Vidas em transição

Os que habitam o entre – fases de ruptura, deslocamento ou reconfiguração identitária, bem como mudanças orgânicas que alteram a percepção de si e do mundo. Inclui travessias profissionais, maternidade, lutos, transformações corporais, redefinições de papel e crises de sentido. Abrange seres que atravessam instabilidades estruturais e necessitam gerenciar, com sanidade e densidade, processos de reorganização biográfica e existencial.

a subjetividades em elaboração

Quem almeja se aprofundar na ideia de que os próprios estados internos resultam de camadas de memória, linguagem e história incorporada e encontra-se em uma período de revisão de crenças estruturantes, deslocamento de identificações cristalizadas e expansão do repertório simbólico que organiza escolhas, afetos e modos de presença no mundo.

A PROFISSIONAIS DA SAÚDE E EDUCAÇÃO

Atuantes na clínica, educação e em campos formativos que procuram encarnar, na própria vida, os princípios que aplicam ou, planejam aplicar, em seus contextos de atuação. Interessa a quem defende a responsabilidade ética sobre o que transmite e busca coerência entre fisiologia, prática e discurso. Abrange aqueles que reconhecem que não há intervenção consistente sem regulação, nem condução de processos sem prática vivida de alinhamento rítmico integral.

DEVIR

a estrutura das travessias mensais temáticas

01. 

SEMANA 1 - IMERSÃO

O mês se abre como um convite à escuta profunda, uma oportunidade de perceber sutilezas do corpo, da emoção e do contexto, em jornadas que unem cronobiologia, neurociência afetiva, fenomenologia e práticas somáticas e conduzem a uma recalibração fisiológica, emocional e vincular. Nesse instante, cada participante é convidado a se tornar consciente dos próprios ritmos, padrões e sinais, sem pressão por resultados, apenas pela experiência sensível.

  • Encontro de abertura (90 min) - Aula-ensaio + conversa, que introduz o tema do mês e orienta a percepção inicial;
  • Gravação do encontro - Disponível na comunidade, para revisitação do conteúdo;
  • Áudio de orientação (10–15 min) - Oferece reflexões e indagações de percepção e um foco concreto de observação, com o objetivo de preparar corpo, emoção e vínculo para a prática do mês e tornar a experiência sensível e integrada.

02. 

SEMANA 2 - APLICAÇÃO

Após a escuta e a percepção inicial do tema do mês, a segunda semana se abre como um convite à prática consciente. A experiência deixa o território da observação e transforma-se em ação na qual corpo, vínculo e mundo são explorados de forma articulada, permitindo avaliar como as diferentes camadas rítmicas do existir influenciam a saúde, o bem-estar e a qualidade das relações. Nesta etapa, começa-se a experimentar estratégias aplicáveis à própria vida, integrando ciência, filosofia e arte.

  • Orientação inicial na comunidade - Texto que apresenta o foco da quinzena e propõe ações sutis para perceber padrões pessoais e incorporar o tema do mês no cotidiano;
  • Reflexão guiada em áudio - Áudio breve que conduz o grupo com exemplos concretos, esclarecendo nuances da prática e conectando conhecimento teórico ao movimento vivido;
  • Protocolos do mês - Guias que estruturam fazeres e ideias aplicáveis à vida diária, e favorecem o enriquecimento da sabedoria e a consolidação da caminhada percorrida ao longo do mês. Cada protocolo é, ainda, um preparo do terreno para a partilha da próxima semana.

03. 

SEMANA 3 - RESSONÂNCIA

Na terceira semana, o foco se desloca para a conexão entre experiência individual e coletiva. O ciclo ganha densidade à medida que os participantes observam padrões próprios e percebem como os ritmos de outros podem modular os seus e vice-versa. A comunidade torna-se um espaço seguro para dividir descobertas, receber feedback e experimentar ajustes. É um tempo em que o diálogo e a escuta ativa revelam narrativas sociais e estratégias de resposta ao próprio corpo e contexto.

  • Continuidade das práticas do mês - Exercícios e protocolos reforçam a atenção aos sinais e às concretudes da existência;
  • Áudio-Ensaio de Síntese (15–20 min) - Organiza as observações e experiências, nomeia padrões e conecta vivências individuais e coletivas à ciência e filosofia do eixo do mês;
  • Encontro gravado de análise de perguntas e casos - Questões enviadas pelos participantes e estudos de caso são discutidos e exemplificados, com vistas à visão aplicada do eixo;
  • Reflexões guiadas - Perguntas e exercícios direcionam a percepção sobre a interação entre ritmos pessoais, vínculos e ambiente, o que facilita o reconhecimento de padrões persistentes e novas possibilidades de resposta.

04.

SEMANA 4 - SÍNTESE

O mês conclui com uma pausa reflexiva, dedicada à assimilação do que foi vivido e ao registro das mudanças incorporadas. Este é o momento de consolidar aprendizados, fortalecer a corregulação e a autoria do próprio ritmo, revisitando práticas e observações. Oferece, por fim, um espaço temporal para solitude, de modo que todos possam pausar e se preparar para o próximo ciclo.

  • Pergunta de encerramento na comunidade - Convite à reflexão sobre o mês, revisão das práticas e observações pessoais, com destaque a ideias significativas;
  • Sugestão simbólica de fechamento - Orientações para registro de experimentos e preparação da transição para o próximo tema;
  • Presença na comunidade - Interações breves e direcionadas para reforçar a assimilação do ciclo, revisar questões pendentes e celebrar conquistas individuais e comunitárias.

05. 

bônus: ACERVO E CURADORIA INTELECTUAL

Uma biblioteca em contínua atualização, composta por materiais que respondem e enriquecem as demandas reais do processo daqueles que, no momento, integram o DEVIR, incluindo:

  • Textos filosóficos integrais, acompanhados de guias de leitura;
  • Artigos científicos comentados, traduzindo rigor técnico em compreensão acessível;
  • Fragmentos literários que expandem a dimensão sensível da experiência;
  • Ações guiadas e visualizações conceituais.

devir

os saberes que estruturam as próximas vivências

CICLO 01 – RITUAIS DO TEMPO: A VOLTA DA CIRCULARIDADE

Março de 2026

Este primeiro ciclo inaugura o percurso do Devir por meio de um retorno atento às condições fundamentais que sustentam a vida no tempo, partindo do entendimento de que a existência humana se constitui em contínua interlocução com ritmos biológicos, relacionais e ambientais que organizam a experiência antes mesmo de qualquer elaboração consciente.

Antes da consolidação das métricas abstratas que hoje regulam a vida social, a orientação temporal emergia de referências encarnadas, nas quais a alternância entre luz e escuridão, as variações sazonais, os ciclos hormonais, os períodos de repouso e ativação e os ritmos vinculares ofereciam as bases concretas para a organização do cotidiano – regularidades essas que não apenas modulavam a fisiologia, mas também estruturavam a subjetividade, e instauravam previsibilidade e sentido.

Com a padronização do tempo, contudo, esse campo de referências foi progressivamente deslocado. A difusão do relógio mecânico, a uniformização dos fusos horários, a eletrificação e a aceleração industrial reorganizaram o trabalho, o cuidado e a convivência, e ampliaram a distância entre as exigências externas e as demandas do corpo. Pesquisas em cronobiologia, como as conduzidas por Till Roenneberg, descrevem esse fenômeno como um desalinhamento persistente entre o tempo social e o tempo biológico, com efeitos que atravessam do sono à saúde mental. Estudos clássicos de Jürgen Aschoff, evidenciam, por sua vez, que a regularidade ambiental permanece sendo – e sempre nos será – um organizador fundamental da vida circadiana.

A teoria da emoção construída, proposta por Lisa Feldman Barrett, amplia tal saber ao demonstrar que a experiência emerge de processos interoceptivos e preditivos por meio dos quais o cérebro regula o corpo em relação ao contexto. Quando o ambiente perde coerência temporal, a regulação torna-se mais onerosa e a sensação de instabilidade tende a se prolongar. Em diálogo com essa perspectiva, Thomas Fuchs descreve como a perda de sincronia entre corpo e mundo fragiliza a continuidade da vivência, o que torna o tempo fragmentado e menos habitável.

Este ciclo convida, portanto, à recuperação gradual da percepção rítmica como essência da regulação partindo da compreensão de que ser humano implica responde à ciclicidade natural e de que ser, vínculo e meio constituem dimensões inseparáveis de um mesmo processo de vida – uma visão que encontra ressonância na fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, para quem o corpo é sempre relação, abertura e pertencimento.

Ao longo do mês, o participante é conduzido a mapear a própria ritmicidade e a reconstruir rituais cotidianos que restituam previsibilidade e continuidade. Aprende, ainda, a reconhecer seus padrões de sono e vigília, a perceber oscilações de energia e atenção, a reorganizar pausas, alimentação, exposição à luz e formas de descanso, bem como a discernir o que depende de ajustes internos e o que exige negociação com o entorno, atravessando um processo que oferece coerência ao permitir que o dia a dia volte a ser apoiado por referências sensíveis e confiáveis.

Como desdobramento, tem-se uma base de estabilidade que fortalece a regulação, amplia a confiança no próprio funcionamento e devolve ao tempo sua qualidade de morada, um estado de restauração circular que inaugura o caminho para os ciclos seguintes, nos quais a experiência temporal será aprofundada em direção às dimensões orgânicas, simbólicas, culturais e coletivas da vida.

CICLO 02 – RITUAIS DO TEMPO: LIMINARIDADES E TRAVESSIAS EXISTENCIAIS

Abril de 2026

Este ciclo desloca o olhar para uma dimensão anterior às rupturas e às transições, dirigindo-se ao reconhecimento do devir como condição constitutiva da existência humana. Desde a antiguidade, essa compreensão é absorvida em diferentes tradições filosóficas e cosmológicas. Em Heráclito, encontramos a ideia de que tudo flui, de que a realidade não se fixa, mas se transforma continuamente, e de que a identidade é sempre provisória, atravessada por processos de mudança que nunca cessam. Nesse campo de pensamento, viver implica participar de um movimento constante de tornar-se, no qual estabilidade e permanência são experiências relativas, sustentadas por ritmos, relações e narrativas compartilhadas.

Durante longos períodos da história humana, essa impermanência era vivida, não como ameaça, mas fundamento da organização da vida. Diferentes povos orientavam-se por temporalidades cíclicas, nas quais nascimento, crescimento, dissolução e renovação constituíam aspectos inseparáveis da experiência. Cosmologias como o Dreamtime aborígene, o Pachakuti andino e o Ubuntu africano expressam, por vias distintas, essa compreensão de que a existência se desenrola em ciclos de transformação, nos quais o indivíduo, a comunidade e o ambiente permanecem profundamente entrelaçados. Nesse contexto, para além de apenas de recursos individuais, a capacidade de atravessar mudanças dependia de dispositivos coletivos, que reconheciam e favoreciam a transitoriedade.

É nesse cenário que emergem os ritos de passagem, processos que a antropologia clássica descreve como formas estruturadas de acompanhar a reordenação do viver ao longo do tempo. Em Arnold van Gennep, as transições são compreendidas por meio de três movimentos: separação; liminaridade e reintegração, e constituem um campo fértil, e não vazio, de metamorfoses, no qual antigas referências deixam de operar enquanto novas configurações ainda não se estabilizam. Victor Turner, em sequência, descreve esse intervalo de liminaridades como um estado between-and-betwixt, marcado pela suspensão temporária das categorias sociais, pela ambiguidade e pelo potencial criativo. Nesses momentos, coloca o autor, a experiência de estar entre mundos deve ser legitimada, testemunhada e apoiada.

Em contraponto a essas ideias, a modernidade, ao instaurar um regime temporal predominantemente linear, enfraqueceu tais estruturas do entre: a vida passou a ser narrada como sequência contínua de metas e desempenhos, o que obscureceu a natureza processual da existência. Mudanças fundamentais, como maternidade, envelhecimento, menopausa, adoecimento, perdas ou reconfigurações profissionais, são frequentemente tratadas como eventos isolados, desvinculados das transformações biológicas, relacionais e narrativas que as modelam. Nesse cenário, o devir deixa de ser reconhecido como camada formativa e passa a ser vivido como falha, desorientação ou interrupção do curso esperado.

Do ponto de vista clínico, essa linearização favorece experiências prolongadas de suspensão temporal, sensação de irrealidade, instabilidade autonômica e fragmentação subjetiva, pois quando a cultura não oferece marcos para integrar as transições, o organismo permanece mobilizado na tentativa de restaurar previsibilidade, o que pode se expressar como ansiedade persistente, exaustão ou dificuldade de imaginar futuros possíveis. O sofrimento, então, mais do que derivar apenas davariação em si, torna-se produto da ausência de linguagens, rituais e vínculos capazes de abraçar o tornar-se.

Neste ciclo, com isso, o trabalho consiste em reaproximar-se da impermanência como fundamento da vida e reconhecer o entre-lugar vivido como parte legítima do processo humano. Investigam-se, aqui, quais transições estão em curso, como o ser integrado responde a essas reestruturações e quais manifestações culturais têm dificultado a integração da vivência. A partir desse mapeamento, reconstroem-se rituais de passagem contemporâneos, práticas corporificadas, relacionais e simbolicamente orientadas que marcam separações, sustentam a liminaridade e favorecem a reintegração gradual em novas configurações de identidade e vínculo.

Ao final, a pessoa amplia a capacidade de habitar o vir-a-ser sem colapsar na fragmentação, reconhecendo a transitoriedade como eixo organizador da vida e construindo modos mais lúcidos, coletivos e sustentáveis de incorporar as transformações que constituem o humano.

CICLO 03 – O CORPO SENTIDO: Interoceptividade e Sabedoria Somática

Maio de 2026

O terceiro ciclo dirige a atenção para uma dimensão central da experiência humana, frequentemente obscurecida pelos modos contemporâneos de vida: a capacidade de perceber e experimentar, de fato, a própria existência. Se os movimentos anteriores restituíram a relação com a ciclicidade natural e com os processos de transição que formam a identidade, este instante inaugura uma escuta mais íntima dos estados internos, reconhecendo que a experiência do mundo se direciona não apenas pelo pensamento, mas pela qualidade das sensações que ancoram a presença no tempo vivido.

A tradição moderna, sobretudo desde René Descartes, consolidou uma inflexão ao privilegiar a consciência racional como eixo organizador do real. A sensorialidade foi progressivamente deslocada, favorecendo modos de vida que dissociam percepção, afeto e ação. Nesse cenário, a interoceptividade – a capacidade de perceber processos internos do organismo – torna-se uma competência fragilizada, embora constitua a base da regulação emocional, da construção de significado e da continuidade subjetiva.

Tal ruptura, em seu lugar, foi profundamente tensionada por Maurice Merleau-Ponty, cuja fenomenologia do vivido mostra que não pensamos primeiro para depois sentir; existimos, desde sempre, como sensibilidade encarnada. A experiência, ali, não ocorre sobre um corpo neutro, mas emerge do entrelaçamento contínuo entre organismo e mundo. De modo convergente, tradições contemplativas orientais desenvolveram práticas sistemáticas de atenção às sensações internas, como a observação de vedanā no budismo, indicando que a clareza da experiência somática favorece estabilidade mental e transformação do sofrimento.

Na ciência contemporânea, essa intuição reaparece sob novas formulações. O trabalho de Francisco Varela, em diálogo com Evan Thompson e Eleanor Rosch, propôs a cognição incorporada, segundo a qual mente e mundo emergem da relação dinâmica entre organismo e ambiente. A consciência deixa de ser abstrata e passa a ser compreendida como fenômeno enraizado em ritmos sensório-motores, padrões autonômicos e vínculos contextuais.

Apesar desses avanços, a cultura contemporânea intensificou formas de distanciamento da experiência interna. Michel Foucault descreveu como dispositivos sociais moldam subjetividades adaptadas a temporalidades externas, enquanto Byung-Chul Han analisou a lógica de desempenho que transforma vitalidade em dado mensurável. A proliferação de métricas e dispositivos de monitoramento desloca a confiança do sentir para números e gráficos, mediando a relação consigo mesmo.

A neurociência afetiva contemporânea recoloca as sensações internas no centro da vida psíquica. O trabalho de António Damásio demonstra que os sentimentos emergem de processos fisiológicos que antecedem a consciência reflexiva. Pesquisas em neurofisiologia e regulação autonômica indicam que o refinamento da percepção corporal está associado a maior estabilidade emocional, melhor tomada de decisão e menor reatividade ao estresse.

Durante este ciclo, o percurso orienta-se para o desenvolvimento progressivo da percepção interna, distinguindo-a tanto da hipervigilância ansiosa quanto da anestesia dissociativa. Inspirado pela atitude fenomenológica de Edmund Husserl, o trabalho envolve observar com precisão as sensações ao longo de diferentes contextos, reconhecendo variações de ativação, repouso, contração e expansão, sem recorrer imediatamente a interpretações narrativas.

Essa alfabetização somática amplia a tolerância às experiências internas e reconstrói uma relação mais confiável com os próprios estados afetivos. A prática, sem reduzir-se a controle emocional, configura um gesto de reconciliação com a inteligência orgânica que circunda a vida.

Ao final, a pessoa desenvolve maior precisão na leitura de si, amplia a capacidade de autorregulação e sustenta estados de presença com menor esforço. A vivência deixa, enfim, de ser mediada exclusivamente por conceitos ou métricas externas e volta a emergir do contato direto com o viver que pulsa o self, permitindo um cotidiano com maior lucidez, coerência e vitalidade.

CICLO 04 – AFETO INCORPORADO: CONSTRUCIONISMO AFETIVO E PREDIÇÕES CULTURAIS

Junho de 2026

O quarto ciclo desloca a caminhada para a investigação de como as sensações corporais adquirem significado emocional e tornam-se experiências reconhecíveis, compartilháveis e culturalmente inteligíveis. Após a reconexão com os ritmos naturais, a compreensão das passagens identitárias e o refinamento da escuta somática, o foco recai sobre o modo pelo qual o corpo sentido é continuamente interpretado, organizado e nomeado na vida cotidiana. Se o ciclo anterior aprofundou a capacidade de perceber, este momento investiga como aquilo que é percebido se transforma em emoção compreendida.

As emoções emergem como processos dinâmicos que integram estados corporais, memórias, contextos e repertórios linguísticos construídos ao longo da história individual. Uma mesma configuração fisiológica pode adquirir sentidos distintos conforme a situação vivida: aceleração cardíaca pode ser entusiasmo diante de uma possibilidade, apreensão diante do desconhecido ou antecipação criativa. A experiência afetiva forma-se na interseção entre organismo, cultura e tempo, revelando que sentir envolve também interpretar.

Essa direção encontra ressonância na teoria da emoção construída, proposta por Lisa Feldman Barrett, segundo a qual o cérebro antecipa e categoriza experiências com base em aprendizados prévios, participando ativamente da constituição do que é vivido como emoção. O ato de nomear participa da própria organização da experiência, oferecendo contornos e estabilidade ao fluxo sensorial.

Pesquisas sobre regulação emocional e diferenciação afetiva, conduzidas por James Gross e colaboradores, indicam que maior granularidade emocional associa-se a flexibilidade comportamental ampliada, melhor adaptação a contextos complexos e respostas mais ajustadas às demandas relacionais. Quanto mais refinada a distinção entre estados internos, maior a capacidade de escolha diante das circunstâncias.

Ao longo da história, os afetos foram organizados por sistemas simbólicos que orientavam modos de sentir, expressar e regular emoções. Rituais, narrativas e códigos culturais ofereciam mapas para a experiência interna, sustentando integração entre corpo, vínculo e linguagem. Transformações sociais descritas por Norbert Elias revelam como processos civilizatórios remodelaram a expressão afetiva, favorecendo maior controle e padronização das sensibilidades. Nesse movimento, parte da complexidade emocional foi sendo comprimida em categorias amplas, reduzindo nuances e empobrecendo a diferenciação do vivido.

Este ciclo propõe recuperar complexidade. A jornada envolve mapear o repertório afetivo pessoal, identificar conceitos dominantes, reconhecer lacunas de nomeação e examinar padrões culturais internalizados sobre o que pode ser sentido, dito e legitimado. A investigação estende-se às relações, ambientes e narrativas que moldaram a vida emocional, ampliando a consciência sobre os filtros que organizam a experiência.

O trabalho inclui práticas que articulam corpo, linguagem e memória, favorecendo a identificação de variações sutis entre estados semelhantes, a revisão de interpretações automáticas e a construção de narrativas mais precisas. O refinamento da nomeação emocional fortalece a coerência interna e amplia a qualidade da presença relacional.

Ao final do ciclo, a pessoa desenvolve maior sofisticação na leitura dos próprios estados afetivos, amplia seu repertório de diferenciação emocional e constrói respostas mais ajustadas às circunstâncias da vida. A vivência ganha profundidade e sabedoria; decisões tornam-se mais alinhadas à realidade interna; vínculos passam a apoiar-se em comunicação emocional mais clara. A sensibilidade deixa de ser difusa e torna-se instrumento de orientação, permitindo que a trajetória de vida seja conduzida com maior consciência, maturidade e integração.

DEVIR

o que emerge em si ao integrar o programa

reconexão com a circularidade viva

Ao longo do percurso, torna-se possível recuperar uma inteligência que reconhece a vida como movimento cíclico. O tempo, enfim, deixa de ser vivido apenas como sequência linear de tarefas e passa a ser percebido como variação, alternância e renovação: ritmos de sono, vitalidade, atenção e desejo, entre um tanto mais, passam a ser observados com maior precisão, permitindo que o cotidiano seja reestruturado a partir de processos naturais de contração e expansão, e o corpo deixe de ser tratado como instrumento de desempenho contínuo e volte a ser sentido como organismo inserido em dinâmicas maiores que apoiam a continuidade vivencial.

REGULAÇÃO QUE NASCE DA RELAÇÃO

À medida que esse saber se desenvolve, processos de regulação deixam de depender exclusivamente de esforço individual. O sistema nervoso, então, encontra apoio nas condições ambientais, na qualidade dos vínculos e na organização sensorial do cotidiano; aexperiência interna ganha estabilidade sem rigidez; ciclos de sono, humor e energia passam a oscilar com maior flexibilidade, reduzindo a sensação crônica de inadequação. A vida, agora, orienta-se menos pela exigência constante e mais pela capacidade de responder de forma situada a cada contexto.

passagens que se tornam morada

Mudanças deixam de ser interpretadas como falhas ou interrupções abruptas, fases de transição passam a ser reconhecidas como momentos próprios de reordenação e ganham espessura e significado, e a construção de gestos simbólicos e práticas de transição, nesse instante, favorecem elaboração emocional e ampliam a possibilidade de experimentar transformações com mais coerência, protagonismo e presença singela.

AUTORIA E PERTENCIMENTO

Com o tempo, surge um elo mais sadio com a própria trajetória. Torna-se possível distinguir o que pode ser ajustado, o que exige negociação e o que pertence a estruturas mais amplas – uma clareza que reduz culpa e amplia responsabilidade situada. O resultado, por fim, longe do controle absoluto, são a consistência interna e a sensação de pertencimento. A vida, dali em diante, abandona o mero reagir e passa a ser conduzida com maior intencionalidade, enraizada na sintonia vital entre corpo, na história, vínculos e mundo.

devir

Pronto(a) para pertencer a um campo disruptivo de conhecimento aplicado à reorientação do viver para além da linearidade e fragmentação existenciais?

DEVIR ocorre de modo online e permite acesso pleno de qualquer canto do mundo. Onde quer que você se encontre, este conhecimento se fará presente e reconfigurará, de maneira profunda e consistente, sua relação consigo, o outro e o mundo.

Em caso de dúvidas ou desejo de busca por mais detalhes, entre em contato.

DEVIR

Um retorno à vividez cíclica e ao estar bem

DEVIR é um percurso contínuo de reorganização temporal e existencial, estruturado em travessias mensais que acompanham a vida como ela se apresenta, sem trilhas fixas ou progressões rígidas. Trata-se de um espaço de estudo, experimentação e acompanhamento que integra contribuições da neurociência, neurofisiologia, cronobiologia, permitindo compreender como corpo, afetos, vínculos e ambientes configuram a experiência de viver e como é possível intervir nessas dinâmicas de modo consciente e situado.

A cada mês, um tema organiza a jornada em movimentos que funcionam como investigações vivas de incorporação, nas quais o participante aprende a reconhecer ritmos, tensões e possibilidades de ajuste nas dimensões biológica, subjetiva, relacional e ambiental. Em vez de uma sequência linear, o percurso assume a forma de uma espiral, sendo possível entrar em qualquer momento, permanecer pelo tempo necessário e retornar aos conteúdos conforme novas camadas de compreensão emergem – um aprendizado que se constrói pela maturação e articulação entre teoria e vivido.

Cada ciclo, aqui, combina aulas-ensaio, materiais de aprofundamento, práticas de observação e protocolos que apoiam a aplicação no cotidiano, ocorrendo como mapa provisório que favorece uma alfabetização temporal progressiva e a precepção de como energia, atenção, humor, vínculos e escolhas são atravessados por ritmos internos e externos frequentemente invisíveis.

Atravessar o DEVIR, com isso, significa ampliar a autonomia para responder às demandas da vida sem dissociar-se do próprio corpo.

Do lado de lá, encontros ao vivo favorecem o reconhecimento compartilhado, a corregulação e a elaboração de experiências complexas, enquanto as imersões sazonais acompanham os movimentos do ano e oferecem momentos de revisão mais amplos, e a comunidade sustenta continuidade, permitindo trocas sem pressa, com liberdade para silêncio e participação gradual.

Por permanecer em constante atualização, novos temas e investigações são incorporados ao longo do tempo, podendo, o participante, aprofundar-se conforme suas necessidades, revisitar conteúdos já vistos e reorganizar o percurso de acordo com os processos que emergem.

Ao longo dessa travessia, mais do que adquirir conhecimento, trata-se de desenvolver competência para reconhecer e ajustar os próprios ritmos, experienciar mudanças de forma realista, reorganizar vínculos e narrativas e construir uma relação mais lúcida com o tempo vivido.

DEVIR é uma forma de habitar a vida com maior consistência interna, flexibilidade adaptativa, sustentabilidade e suficiência.

O investimento

R$ 997,00

Sem recorrência, pagamento único com parcelamento disponível.

O valor descrito acima cobre um ano de acesso ao DEVIR para aqueles que ingressarem no programa até abril de 2026. Para quem se juntar ao grupo a partir de então, o investimento será de R$ 1217,00. 

Garantia de 7 dias. 

devir

àqueles que reconhecem que viver é ritmar, e que toda forma de manifestação enraiza-se em uma rede integrada de tempos, um caminho formativo completo

Para estudiosos e profissionais comprometidos em cultivar uma sabedoria sintonizada à dimensão sazonal da vida e em aprofundar seus conhecimento em temporalidade, corpo, vínculos e ecologias do cuidado, estão disponíveis algumas possibilidades de permanência estendida, com supervisão em área aplicada e sessões individuais mensais, para cocriação de métodos e protocolos autorais enraízados em nossa metodologia.

Há trajetórias profundas de vida que pedem um lugar clínico em que o corpo possa voltar a reconhecer o próprio tempo. A Terapia de Mapeamento e Sincronia de Ritmos (TMSR) nasce da constatação de que grande parte do sofrimento contemporâneo organiza-se mais do que apenas em sintomas isolados, em processos de dessincronia, seja dos ritmos biológicos tensionados, vínculos que perdem capacidade de corregulação, ou ambientes que violam ciclos essenciais à vida.

TMSR

O QUE

A RITMICIDADE EXISTENCIAL como eixo clínico de alinhamento

A TMSR constitui um percurso de cuidado fundamentado na compreensão de que a qualidade da saúde e do estar bem emerge da coesão entre os ritmos que sustentam o organismo ao longo do tempo. Parte do reconhecimento dos ritmos – pessoais, vinculares e ambientais – como princípio ativo e estruturante, capaz de organizar o corpo, modular a vida emocional e orientar a própria existência. Nesse horizonte, sua aplicação implica ler e apoiar a arquitetura temporal que torna o viver em inteireza e plenitude possível, previsível e habitável.

Ainda, ao longo da vida, essa organização rítmica pode se fragilizar por sobrecargas prolongadas, experiências de ruptura, exigências ambientais incompatíveis ou estados de alerta mantidos nos instantes. Nesses contextos, os ritmos deixam de se articular entre si, o corpo perde capacidade de antecipação e o sistema nervoso opera em regimes de instabilidade, exaustão ou hiperadaptação. É aí que a TMSR intervém: nesse nível profundo de desorganização temporal, combinando escuta, neurociência circadiana e protocolos de modulação rítmica, e restaurando coerência entre corpo, ambiente e trajetória de vida.

Ao articular a singularidade de cada organismo com parâmetros fisiológicos observáveis, a TMSR pode se configurar tanto como processo terapêutico contínuo quanto como percurso aplicado, orientado a objetivos clínicos específicos. Destina-se a pessoas em atravessamentos de perdas, rupturas, transições identitárias, crises existenciais ou estados persistentes de exaustão, assim como àquelas que buscam intervenções mais orgânicos,  como fertilidade, dor crônica, reorganização metabólica, saúde imune e hormonal, regulação do peso ou recuperação da vitalidade. Em todos os casos, o trabalho clínico sustenta processos de reorganização progressiva do viver, respeitando os tempos próprios do corpo e da experiência.

TERAPIA DE MAPEAMENTO E SINCRONIA DE RITMOS

AS quatro FASES que compõem o processo

01. MAPEAMENTO INTEGRATIVO

A primeira etapa realiza levantamento detalhado das três camadas temporais:

  • Ritmos do Ser – Ritmos biológicos, sono, fadiga, regulação do sistema nervoso, alimentação, ciclos hormonais, subjetividades, padrões de pensamento;

  • Ritmo do Vínculo – corregulação, história de apego, qualidade de vínculos, o que emerge entre o ser e os seus;

  • Tempo do Meio – Ambiente físico, natural e artificial, trabalho condições estruturais de vida, sentido e significado.

O percurso pode ser atravessado de forma síncrona, com sessões clínicas presenciais ou remotas, ou assíncrona, respondendo instrumentos e questionários enviados progressivamente. Ao final da coleta de dados, é produzido o Documento de Mapeamento Temporal, que inclui dados sobre ritmos biológicos, padrões do sistema nervoso, apego como modelo preditivo relacional, qualidade de vínculos, ambiente, traumas* e saúde mental*. Este apanhado funciona como radiografia temporal, e revela áreas de sincronia, pontos de colapso e interdependência entre camadas, sendo entregue antes da sessão de devolutiva final, em que se apresenta o enquadre teórico construcionista, valida-se sofrimento estrutural quando aplicável e indicam-se linhas de cuidado recomendadas.

A fase pode ser percorrida de forma autônoma, oferecendo clareza sobre o estado atual e funcionando como ponto de decisão de avançar para acompanhamento profundo (Fases 2–4) ou encerrar o percurso ali, mantendo a autonomia a partir do de então.

*Casos que exigem acompanhamento psiquiátrico ou psicoterápico recebem indicação de rede de cuidado complementar.

02. SINCRONIA E ACOMPANHAMENTO

Para os que desejam seguir com orientação, esta fase promove reconstrução profunda por meio de sessões semanais ou quinzenais, e combinam três dimensões integradas:

  • Reconhecimento – Validação do sofrimento e conexão entre camadas temporais;

  • Ancoragem – Criação de chão firme por meio de sincronizadores temporais concretos (sono, alimentação, práticas corporais);

  • Experimentação – Recategorização emocional, reconstrução identitária e busca de sentido existencial.

O trabalho segue as 4 linhas clássicas de cuidado:

  1. Regulação biológica, com enfoque na restauração da coerência entre ritmos e ciclos biológicos e dinâmica autonômica;

  2. Construção emocional e presença no tempo, com trabalho sobre a expansão da capacidade de sentir, nomear e modular experiências afetivas em contexto temporal;

  3. Rupturas relacionais e transições identitárias, com atenção a eventos que dessincronizam profundamente papéis, vínculos e experiência de continuidade existencial;

  4. Sentido existencial e estruturas de vida, ação sobre a capacidade de projetar futuro significativo dentro de limites reais, mapeando margens de controle versus imposições estruturais.

Sessões combinam trabalho clínico visceral, práticas incorporadas e referência criteriosa a literatura e filosofia quando ampliam possibilidades experienciais.

03. MANUTENÇÃO

Momento em que se consolida a autonomia, com sessões que espaçam-se progressivamente para sustentar práticas sem apoio constante.

  • Sinais precoces de desregulação são monitorados, interpretados como oscilações naturais, não recaídas.

  • Ajustes sazonais são aplicados (ex.: inverno – acomodação biológica à desaceleração; verão – adaptação de sono a dias longos).

  • Antecipação de desafios previsíveis (viagens, datas significativas, deadlines) e demandas emergentes (conflitos, estresse, luto reativado).

  • Reaplicação de instrumentos da Fase 1 para comparação objetiva, permitindo visualizar atualização de modelos preditivos e evolução de regulação, sono, relações e perspectivas futuras.

A decisão de avançar ou encerrar o acompanhamento depende do alcance de sustentação desejado pelo indivíduo.

04. INTEGRAÇÃO

Encerramento ritualizado que revisita todo o percurso:

  • Comparação entre mapeamento inicial e momento atual, e celebração de ganhos concretos sem ocultar fragilidades;

  • Criação de mapa de navegação futuro, contemplando possíveis desafios (insônia, luto, sobrecarga laboral) e estratégias preventivas;

  • Ritual de fechamento.

A porta da TMSR, após o encerramento, permanece aberta para retornos pontuais ou check-ins sazonais, para ajustes preventivos, ou repetição do programa completo em caso de dessincronia intensa. 

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COMO INICIAR O PERCURSO DE SINCRONIA TEMPORAL

o PRIMEIRO PASSO


O ponto de partida é o preenchimento de um formulário inicial, estruturado para apresentar de forma clara as possibilidades da TMSR, identificar prioridades e delinear um perfil preliminar das necessidades e da situação atual. Este instrumento funciona como triagem, permitindo ajustar o percurso de forma personalizada, esclarecer opções de intervenção – incluindo a análise genética opcional – e situar cada pessoa em relação à amplitude de abordagens disponíveis. O formulário oferece uma primeira reflexão estruturada sobre ritmos biológicos, emocionais e contextuais, e evidencia padrões que muitas vezes permanecem invisíveis na rotina cotidiana ou em atendimentos fragmentados.

o que está à frente

Ao final do percurso completo, a TMSR entrega mais do que um conjunto de protocolos ou recomendações pontuais. O resultado é uma restauração da coesão temporal que sustenta corpo, emoção, relações e experiência existencial. A abordagem integra mapeamento sistemático, práticas somáticas e cognitivas, protocolos de sincronização adaptados ao ritmo individual e orientações de continuidade clínica, funcionando como uma visão unificada da saúde e do bem-estar. Em caminho oposto à segmentação tradicional entre especialidades médicas, psicológicas e terapêuticas, a TMSR opera de forma sistêmica ao oferecer uma arquitetura de cuidado que reconhece interdependência de corpo, mente, relações e ambiente, e favorecer a recuperação da previsibilidade pelo organismo, a regulação consistente do sistema nervoso, e a experiência sustententável de navegar pelos caminho da vida.

CONHEÇA, ABAIXO, A ESTRUTURA TÍPICA DE UMA SESSÃO

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OS PILARES teóricos QUE SUSTENTAM ESTE CAMPO

(Lisa Feldman Barrett; James Russell; Shir Atzil; Kristen Lindquist; Joseph LeDoux; Ralph Adolphs)

A experiência afetiva emerge da integração contínua entre corpo, cérebro e contexto ao longo do tempo. Emoções são processos construídos a partir de sinais interoceptivos, aprendizagem prévia, memória, linguagem e previsões cerebrais, organizadas em situações concretas de vida. Esse enquadramento permite compreender a experiência emocional como fenômeno plástico, historicamente situado e passível de reorganização, sem reduzi-la a reflexos automáticos ou categorias universais fixas.

(Jürgen Aschoff; Till Roenneberg; Franz Halberg; Timothy Monk; Simon Folkard; Martha Merrow)

O organismo humano é um sistema temporalmente regulado, no qual ritmos circadianos, infradianos e ultradianos estruturam energia, atenção, afeto e disponibilidade relacional. A cronobiologia oferece o fundamento para compreender saúde e sofrimento como expressões de alinhamento ou desalinhamento entre tempo biológico, demandas ambientais e narrativas de vida. Esse campo sustenta abordagens que respeitam a temporalidade própria dos processos de reorganização, evitando acelerações que aprofundam a desregulação.

(A.D. (Bud) Craig; Stephen Porges; Sarah Garfinkel; Hugo Critchley; Deb Dana; Pat Ogden)

A experiência subjetiva é inseparável da leitura contínua que o sistema nervoso faz do estado interno do organismo. Processos interoceptivos, estados autonômicos e padrões de engajamento ou retração configuram o pano de fundo sobre o qual percepção, emoção e ação se organizam. Esse campo possibiltia a leitura clínica dos estados fisiológicos como linguagem viva do ser, favorecendo estabilidade, previsibilidade e reorganização progressiva da capacidade regulatória.

(Edmund Husserl; Maurice Merleau-Ponty; Martin Heidegger; Paul Ricoeur)

A experiência vivida constitui dado central de uma investigação que assume que corpo, tempo e sentido não são tratados como abstrações, mas como modos concretos de habitar o mundo. A fenomenologia, dessa forma, oferece instrumentos para compreender como passado, presente e antecipação se entrelaçam na constituição da identidade, e como rupturas nessa continuidade afetam escolha, ação e presença, revelando processos de transformação que se constroem a partir da forma singular como a vida é percebida, sentida e narrada.

(John Bowlby; Mary Ainsworth; Allan Schore; Beatrice Beebe; Daniel Stern; Ed Tronick; Colwyn Trevarthen; Sue Johnson)

O desenvolvimento humano é um processo relacional e temporal, no qual padrões de regulação afetiva emergem no entre - na qualidade das presenças, das ausências e das microssintonias ao longo do tempo. O vínculo estrutura expectativas, ritmos compartilhados e modos de responder ao mundo. Processos de sofrimento, trauma ou reorganização afetiva, então, constroem-se e se transformam em campos relacionais, e não em isolamento.

(Karla Knoblauch)

A experiência humana emerge da interação contínua entre três dimensões inseparáveis que se regulam mutuamente através de processos rítmicos: o Ser (regulação biológica e subjetiva), o Vínculo (regulação relacional) e o Meio (contexto físico, social e simbólico). Saúde, bem-estar e coerência existencial expressam estados de sincronia rítmica entre essas dimensões. Sofrimento, adoecimento ou descompasso indicam dessincronias, retrações, excessos ou compensações entre elas, nunca ocorrendo de forma isolada. Este modelo sustenta uma leitura integrada da experiência humana, na qual reorganizações afetivas, temporais e relacionais se apoiam mutuamente ao longo do tempo através da restauração progressiva de padrões de alinhamento.

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Ideal para quem

Pessoas cujo sofrimento se manifesta primariamente como instabilidade fisiológica e perda de previsibilidade corporal, como insônia crônica, fadiga persistente, flutuações hormonais, dor recorrente, inflamação, ansiedade somática ou sensação contínua de exaustão. São quadros em que o organismo opera em regimes prolongados de alerta ou colapso, tornando qualquer tentativa de mudança psicológica ou comportamental frágil e insustentável. O trabalho se organiza, nesse caso, a partir da reconstrução da coerência rítmica e da capacidade de antecipação interna, favorecendo a retomada de estabilidade neurofisiológica como condição de base para processos mais amplos de reorganização.

Aqueles cujo desconforto se expressa predominantemente na esfera relacional e afetiva: dificuldades persistentes de vínculo; hipervigilância interpessoal; retraimento emocional; padrões reiterados de conflito; sensação de não pertencimento ou medo crônico de dependência e abandono. São configurações em que a experiência do outro é vivida como ameaça, instabilidade ou sobrecarga, comprometendo a possibilidade de corregulação e de confiança básica. Aqui, o caminho se estrutura pela reconstrução gradual de segurança relacional e de inteligibilidade afetiva, permitindo que o sistema volte a experimentar o vínculo como espaço de sustentação e não de risco.

Indivíduos que experimentam desalinhos, sobretudo, no plano do sentido, da identidade e da narrativa de si, como sensação de descontinuidade biográfica, perda de direção existencial, colapso de valores, conflitos identitários ou dificuldade em integrar experiências marcantes à própria história. São estados em que a vida segue operando, mas sem coerência simbólica suficiente para orientar escolhas, desejos e pertencimentos. A jornada se orienta, nesse contexto, pela reorganização dos eixos narrativos e simbólicos que formam o existir, favorecendo a restituição de continuidade, inteligibilidade e autoria sobre o próprio percurso.

Pessoas que apresentam fricção prolongada entre o indivíduo e seus contextos de vida, seja em ambientes desreguladores, ritmos incompatíveis, pressões sistêmicas contínuas, falta de sentido, esgotamento ocupacional ou sensação de inadequação estrutural ao mundo em que se vive. Nesses quadros, o mal-estar não reside apenas no sujeito, mas na ecologia vincular, cultural e temporal que o envolve. O trabalho se conforma, assim, pela leitura e reorganização das interfaces entre pessoa, ambiente e tempo, buscando restaurar condições de pertencimento e viabilidade no cotidiano vivido.

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UM CONVITE A Restituir continuidade, previsibilidade e margem de vida

Uma caminhada de reorganização biológica e vivencial profunda, voltada a pessoas que buscam reestabelecer a convergência harmoniosa entre corpo, vínculos, tempo vivido e capacidade de escolha. A TMSR constitui um campo integrativo de ressincronia biológica, relacional e narrativa, no qual o tempo deixa de ser experimentado como pressão difusa ou instabilidade contínua e passa a operar como eixo interno de orientação. Ao longo do percurso, criam-se condições para que a vida recupere continuidade, inteligibilidade e possibilidade de manobra real, favorecendo transformações que se mantêm nas diferentes ritmicidades que se destacam ao longo do cotidiano.

QUEM SOMOS

Prof. Esp.

Karla Knoblauch

Cronobiologista e neurobióloga (UFPR), CRBio 130785/07. Especialista em Ritmos Biológicos, Medicina do Sono, Neurociência Circadiana e Afetiva, fisiologia e fisiopatologia humana. Membro da Academia Brasileira do Sono, com formações complementares pela USP, University of Munich (LMU), University of Michigan e Duke University. Professora, pesquisadora e ensaísta, autora da publicação Entre Tempos no Substack. Fundou o campo da Neurocronobiologia Afetiva ao integrar cronobiologia, neurobiologia da regulação e do afeto construcionista (Barrett, Russell, Atzil, Craig, Porges), e fenomenologia temporal (Husserl, Merleau-Ponty, Heidegger). Seu Modelo Triádico de Regulação Rítmica propõe que saúde e sofrimento emergem de estados de sincronia ou dessincronia entre três dimensões inseparáveis: Ser (regulação biológica e subjetiva); Vínculo (regulação relacional) e Meio (contexto físico-social-simbólico). Sua atuação percorre múltiplas escalas, da clínica à escrita, da formação de profissionais à criação de experiências imersivas, movida pela convicção de que o tempo é a arquitetura invisível da vida. Entre o rigor experimental e a imaginação ecológica, sua obra propõe uma epistemologia do ritmo e uma ética da sincronia: pensar e cuidar do humano em compasso com o cosmos e com a Terra.

Prof. DR.

Salvador Paganella

Biólogo, Mestre e Doutor em Microbiologia, Parasitologia e Patologia (UFPR), com Pós-Doutorado em Entomologia, especialista em Biologia Molecular, Genética e Análise Crítica de Dados. Pesquisador, docente e curador científico, possui experiência em instituições de referência e reúne investigação laboratorial, supervisão acadêmica e desenvolvimento de protocolos avançados. Na Noblau Co, atua como guardião da precisão analítica e traduz complexidade biológica em ferramentas aplicáveis à Neurocronobiologia Afetiva. Sua atuação percorre múltiplas escalas – da orientação científica à supervisão de projetos, da concepção de protocolos à participação em formações e experiências imersivas – movida pela convicção de que o conhecimento é a ponte entre evidência, prática e transformação. Entre o detalhe microscópico e a perspectiva ampliada dos sistemas vivos, sua obra propõe uma epistemologia do ritmo e uma ética da sincronia: pensar e atuar sobre o vivo em compasso com os ritmos humanos, sociais e planetários.

Os primeiros passos para alinhar EXISTÊNCIAS, práticas e espaços aos ritmos que sustentam a vida.

Quando a direção não é clara, a sincronia revela o caminho

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