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Um espaço onde o tempo se reorganiza
e a vida retoma seu pulso natural.

Um santuário dedicado ao cuidado
regenerativo, à lucidez sensível do pensar
e ao cultivo de uma existência alinhada aos ciclos que nos sustentam.

aos que buscam caminhos inteiros de restauração

um convite a habitar o instante em suas camadas invisíveis

— e a reencontrar, na sincronia entre elas, o movimento que devolve coerência ao viver —

Há uma cadência silenciosa que sustenta toda forma de vida, e, quando dela nos desenraizamos, o organismo se dispersa, o relacional se enrijece e a presença se estilhaça. A Noblau Co nasce da escuta desse descompasso, e do anseio de restituir às experiências humanas um ritmo capaz de, novamente, apoiar o ser e o mundo. Aqui, reorientação é gesto e discernimento: afinar o fluxo entre dentro e fora, entre sentir e responder, entre o que o ambiente pede e o que se pode ofertar. Por isso, recusamos a lógica fragmentada da contemporaneidade, e integramos ação e reflexão, corpo e mente, prática e teoria em um mesmo campo vivo.

Nesse sentido, disponibilizamos vivências que reorganizam os ritmos internos e relacionais e encontros que ampliam a compreensão, criando um espaço onde imersões práticas se articulam à densidade intelectual: ciência dialoga com filosofia, cronobiologia se aproxima da fenomenologia, e a experiência ganha rigor conceitual a partir da sensibilidade lieterária. Mais que técnicas ou repertórios, é um território de aprofundamento, no qual se aprende não apenas o caminho da regeneração da vida, mas o princípio que o orienta; não apenas o protocolo, mas a coerência temporal que lhe dá forma. Aqui, transformar o modo como se atravessa a existência e cultivar a leitura do próprio tempo tornam-se um mesmo movimento de clareza que objetiva a sincronia entre os três tempos que nos moldam.

– O SER –
Singularidade, pessoalidade, biologia

Os ritmos individuais, que vibram em si. A cadência dos ciclos internos, da energia que se esgota e se refaz, da saúde que se perde e resgata. É o autocontato, a regulação, e também a subjetividade vivencial, onde se aprende a notar os sinais sutis que pedem pausa ou movimento, silêncio ou expressão.

– O VÍNCULO –
RELACIONAL, narrativa, COrregulação

O instante que se revela nos encontros, nas histórias que se dividem, nos gestos cotidianos, nas palavras ditas e não ditas. Nessa perspectiva, o tempo é relação, expande-se no cuidado, dissolve-se nas esperas, multiplica-se quando partilhado. É o campo onde presença se torna reciprocidade.

– O MEIO –
natureza, o que há no mundo, criação

A temporalidade cosmológica e ecológica, e o sentido do que se recebe e pratica em relação àquilo que nos cerca. A relação com a ancestralidade e ecologias, com os vazios e excessos, e a capacidade de contemplar o significado, as estruturas que formam o trabalho e o impacto sociocultural.

devir

Um percurso dedicado a investigar a vida a partir de seus ritmos – biológicos, nervosos, relacionais e simbólicos. Um território de imersão mensal onde se aprende a reconhecer padrões de sincronia e desencontro, integrando corpo, vínculos e narrativa como dimensões inseparáveis do viver. Uma travessia que desenvolve discernimento rítmico e capacidade de auto e corregulação aplicada, para conduzir escolhas e movimentos com maior coesão ao longo do tempo.

DEVIR

A NATUREZA E O PROPÓSITO DO VIR-A-SER

DEVIR nasce da compreensão de que a vida é processo e impermanência. De Heráclito à filosofia contemporânea, o humano é entendido como alguém que se constitui no tempo, perpassado por ritmos biológicos, afetivos, relacionais e simbólicos – uma condição que implica movimento, transformação e descontinuidade como traços próprios da existência, frequentemente obscurecidos por uma cultura orientada por normas de estabilidade, aceleração e desempenho contínuo.

DEVIR surge, portanto, como espaço de reconexão com essa natureza rítmica e relacional do viver, organizando-se como uma comunidade cíclica, na qual, a cada mês, um tema orienta uma imersão compartilhada, que se aprofunda e entra em ressonância e integração. Sua própria forma reflete aquilo que investiga: o vir-a-ser como instante contínuo, não linear, no qual compreensão e vivência se transformam mutuamente ao longo do tempo.

Nesse contexto, saberes embasados em cronobiologia, neurociência afetiva, neurofisiologia e filosofia operam como fundamentos para a leitura da experiência concreta. Ali, conhecem-se estados de regulação, padrões de alinhamentos e desalinhos, narrativas vinculares e influências culturais que modulam corpo e percepção.

O propósito de DEVIR é cultivar discernimento e sintonia entre corpo, vínculos e o mundo, e favorecer autonomia e protagonismo ajustados ao espaço-tempo real do existir.

Uma perspectiva para quem deseja reencontrar sua ritmicidade fundamental e regenerar reorganizar corpo, relações e ações com inteireza, suficiência e vividez.

DEVIR

a quem se destina

a Corpos em busca de regulação

Pessoas que desejam compreender como sintomas recorrentes podem refletir desorganizações cronobiológicas e neurofisiológicas, investigando a arquitetura circadiana, a modulação autonômica e os circuitos neuroendócrinos que apoiam a vitalidade, a partir de uma abordagem integrada da saúde física e mental ancorada na ciência da regulação nervosa e na ecologia temporal do organismo.

a Pessoas reconstruindo padrão emocional

Sujeitos que buscam aprofundar-se na ciência da construção emocional, reconhecendo que emoções emergem de processos preditivos do cérebro em interação com contexto e aprendizagem. Indicado para aqueles que anseiam ampliar a granularidade afetiva, sofisticar a leitura corporal e assumir responsabilidade ativa na configuração dos próprios estados emocionais.

a Vidas em transição

Os que habitam o entre – fases de ruptura, deslocamento ou reconfiguração identitária, bem como mudanças orgânicas que alteram a percepção de si e do mundo. Inclui travessias profissionais, maternidade, lutos, transformações corporais, redefinições de papel e crises de sentido. Abrange seres que atravessam instabilidades estruturais e necessitam gerenciar, com sanidade e densidade, processos de reorganização biográfica e existencial.

a subjetividades em elaboração

Quem almeja se aprofundar na ideia de que os próprios estados internos resultam de camadas de memória, linguagem e história incorporada e encontra-se em uma período de revisão de crenças estruturantes, deslocamento de identificações cristalizadas e expansão do repertório simbólico que organiza escolhas, afetos e modos de presença no mundo.

A PROFISSIONAIS DA SAÚDE E EDUCAÇÃO

Atuantes na clínica, educação e em campos formativos que procuram encarnar, na própria vida, os princípios que aplicam ou, planejam aplicar, em seus contextos de atuação. Interessa a quem defende a responsabilidade ética sobre o que transmite e busca coerência entre fisiologia, prática e discurso. Abrange aqueles que reconhecem que não há intervenção consistente sem regulação, nem condução de processos sem prática vivida de alinhamento rítmico integral.

DEVIR

a estrutura das travessias mensais temáticas

01. 

SEMANA 1 - IMERSÃO

O mês se abre como um convite à escuta profunda, uma oportunidade de perceber sutilezas do corpo, da emoção e do contexto, em jornadas que unem cronobiologia, neurociência afetiva, fenomenologia e práticas somáticas e conduzem a uma recalibração fisiológica, emocional e vincular. Nesse instante, cada participante é convidado a se tornar consciente dos próprios ritmos, padrões e sinais, sem pressão por resultados, apenas pela experiência sensível.

  • Encontro de abertura (90 min) - Aula-ensaio + conversa, que introduz o tema do mês e orienta a percepção inicial;
  • Gravação do encontro - Disponível na comunidade, para revisitação do conteúdo;
  • Áudio de orientação (10–15 min) - Oferece reflexões e indagações de percepção e um foco concreto de observação, com o objetivo de preparar corpo, emoção e vínculo para a prática do mês e tornar a experiência sensível e integrada.

02. 

SEMANA 2 - APLICAÇÃO

Após a escuta e a percepção inicial do tema do mês, a segunda semana se abre como um convite à prática consciente. A experiência deixa o território da observação e transforma-se em ação na qual corpo, vínculo e mundo são explorados de forma articulada, permitindo avaliar como as diferentes camadas rítmicas do existir influenciam a saúde, o bem-estar e a qualidade das relações. Nesta etapa, começa-se a experimentar estratégias aplicáveis à própria vida, integrando ciência, filosofia e arte.

  • Orientação inicial na comunidade - Texto que apresenta o foco da quinzena e propõe ações sutis para perceber padrões pessoais e incorporar o tema do mês no cotidiano;
  • Reflexão guiada em áudio - Áudio breve que conduz o grupo com exemplos concretos, esclarecendo nuances da prática e conectando conhecimento teórico ao movimento vivido;
  • Protocolos do mês - Guias que estruturam fazeres e ideias aplicáveis à vida diária, e favorecem o enriquecimento da sabedoria e a consolidação da caminhada percorrida ao longo do mês. Cada protocolo é, ainda, um preparo do terreno para a partilha da próxima semana.

03. 

SEMANA 3 - RESSONÂNCIA

Na terceira semana, o foco se desloca para a conexão entre experiência individual e coletiva. O ciclo ganha densidade à medida que os participantes observam padrões próprios e percebem como os ritmos de outros podem modular os seus e vice-versa. A comunidade torna-se um espaço seguro para dividir descobertas, receber feedback e experimentar ajustes. É um tempo em que o diálogo e a escuta ativa revelam narrativas sociais e estratégias de resposta ao próprio corpo e contexto.

  • Continuidade das práticas do mês - Exercícios e protocolos reforçam a atenção aos sinais e às concretudes da existência;
  • Áudio-Ensaio de Síntese (15–20 min) - Organiza as observações e experiências, nomeia padrões e conecta vivências individuais e coletivas à ciência e filosofia do eixo do mês;
  • Encontro gravado de análise de perguntas e casos - Questões enviadas pelos participantes e estudos de caso são discutidos e exemplificados, com vistas à visão aplicada do eixo;
  • Reflexões guiadas - Perguntas e exercícios direcionam a percepção sobre a interação entre ritmos pessoais, vínculos e ambiente, o que facilita o reconhecimento de padrões persistentes e novas possibilidades de resposta.

04.

SEMANA 4 - SÍNTESE

O mês conclui com uma pausa reflexiva, dedicada à assimilação do que foi vivido e ao registro das mudanças incorporadas. Este é o momento de consolidar aprendizados, fortalecer a corregulação e a autoria do próprio ritmo, revisitando práticas e observações. Oferece, por fim, um espaço temporal para solitude, de modo que todos possam pausar e se preparar para o próximo ciclo.

  • Pergunta de encerramento na comunidade - Convite à reflexão sobre o mês, revisão das práticas e observações pessoais, com destaque a ideias significativas;
  • Sugestão simbólica de fechamento - Orientações para registro de experimentos e preparação da transição para o próximo tema;
  • Presença na comunidade - Interações breves e direcionadas para reforçar a assimilação do ciclo, revisar questões pendentes e celebrar conquistas individuais e comunitárias.

05. 

ACERVO E CURADORIA INTELECTUAL

Uma biblioteca em contínua atualização, composta por materiais que respondem e enriquecem as demandas reais do processo daqueles que, no momento, integram o DEVIR, incluindo:

  • Textos filosóficos integrais, acompanhados de guias de leitura;
  • Artigos científicos comentados, traduzindo rigor técnico em compreensão acessível;
  • Fragmentos literários que expandem a dimensão sensível da experiência;
  • Ações guiadas e visualizações conceituais.

devir

o conteúdo que estrutura os primeiros passos, na etapa fundacional

EIXO I – SINCRONIAS PERDIDAS

Genealogias do desalinho contemporâneo

Este eixo propõe um deslocamento do olhar para situar o tempo e compreender como a vida humana, enquanto espécie histórica e biológica, chegou a um ponto em que ritmos naturais, afetivos e sociais se fragmentaram. Para além de uma narrativa simplista sobre aceleração, investiga-se uma série de rupturas profundas na experiência temporal, que atravessam a passagem de temporalidades cíclicas, simbólicas e coletivas – como o Pacha andino, o Dreamtime aborígene ou o ubuntu africano – para a consolidação de um tempo linear, homogêneo e disciplinado.

A emergência do relógio mecânico, dos fusos horários, da eletrificação e da organização institucional moderna instaurou uma temporalidade abstrata e padronizada, progressivamente dissociada tanto dos ritmos do corpo, da natureza e da vida comunitária quanto da experiência interna do tempo como distensão da alma e duração vivida (Agostinho; Bergson; Thompson; Edison; Crary). Esse processo não apenas reorganizou a produção e o trabalho, mas reconfigurou a percepção subjetiva do tempo, instaurando tensões persistentes entre exigências externas e limites biológicos.

Ao articular contribuições filosóficas, históricas e críticas, este eixo revela que o desalinho contemporâneo não é falha individual, mas resultado de uma genealogia temporal específica, na qual a aceleração tecnológica e a pressão por desempenho operam sobre corpos finitos e ritmos não negociáveis (Rosa; Han). Compreender essa origem amplia a lucidez sobre o presente e sustenta uma relação mais ética e consciente com o tempo vivido.

Principais territórios atravessados:

  • Fluxo perpétuo e impossibilidade de fixidez
    (Heráclito);

  • Tempo como distensão da alma
    (Agostinho);

  • Duração qualitativa e crítica ao tempo homogêneo
    (Bergson);

  • Consciência temporal triádica: passado, presente e futuro
    (Husserl);

  • Existência, temporalidade e horizonte da autenticidade
    (Heidegger);

  • Padronização fabril, eletrificação e cultura 24/7
    (E. P. Thompson; Edison; Crary);

  • Aceleração tecnológica e tensão entre corpo e exigência externa
    (Hartmut Rosa; Byung-Chul Han).

Práticas: observação do próprio ritmo e identificação de picos e vales de energia; análise da influência de tecnologias, horários institucionais e espaços transitórios; exercícios de percepção que distinguem o que pode ser ajustado individualmente, o que exige negociação relacional e o que se impõe estruturalmente, sem culpa ou autoacusação.

Resultados: conhecimento sobre as origens históricas e filosóficas das dessincronias contemporâneas; capacidade de diferenciar níveis de influência temporal sem assumir responsabilidade indevida; discernimento para harmonizar corpo, tempo vivido e demandas externas; fortalecimento de uma postura crítica, lúcida e compassiva frente ao tempo do mundo.

eixo ii – o ser biológico

Organicidades da Temporalidade

Toda construção cultural, social ou afetiva repousa sobre um corpo biologicamente regulado. A capacidade de responder ao mundo de forma adaptativa emerge da estabilidade dinâmica dos sistemas fisiológicos que sustentam percepção, atenção, energia e disponibilidade afetiva ao longo do tempo. Este eixo oferece uma alfabetização profunda do corpo vivo, evidenciando como ritmos biológicos organizam a experiência e constituem a base sobre a qual qualquer reorganização temporal posterior se apoia.

A proposta é oferecer a base biológica e regulatória a partir da qual processos afetivos, relacionais e temporais mais complexos podem ser sustentados.

A consciência corpóreo-afetiva é compreendida como um processo contínuo de regulação, no qual estados fisiológicos modulam a forma como o mundo é percebido, sentido e habitado (Damasio; Barrett). Ritmos circadianos, ultradianos e infradianos estruturam ciclos de ativação e repouso, influenciando não apenas o funcionamento metabólico, mas também a qualidade da atenção, da presença relacional e da resposta emocional (Hall; Rosbash; Young; Roenneberg).

Um apanhado que favorece a identificação de padrões internos de fluxo, bloqueio e sobrecarga, e a amplição da capacidade de leitura dos próprios estados neurofisiológicos. Aqui, estados de segurança, engajamento e disponibilidade emergem como condições orgânicas fundamentais para a experiência relacional e cognitiva, sustentadas por sistemas de regulação autonômica sensíveis ao contexto, à previsibilidade e à qualidade das interações (Porges; Dana).

Ao integrar sono, alimentação, movimento, exposição à luz e ritmos sociais como componentes vivos da arquitetura temporal do organismo, este eixo cultiva uma compreensão prática e encarnada do cuidado biológico, possibilitando intervenções microrregulatórias conscientes, sustentáveis e respeitosas aos limites individuais e contextuais.

Principais territórios atravessados:

  • Genes-relógio e ritmos circadianos, ultradianos e infradianos
    (Hall; Rosbash; Young; Roenneberg);

  • Organização energética, homeostase e alostase
    (Sterling; McEwen);

  • Estados de segurança, engajamento e regulação autonômica
    (Porges; Dana);

  • Consciência corporal, valor biológico e afetividade
    (Damasio);

  • Emoções como sinais de recursos internos e regulação preditiva
    (Barrett).

Práticas: mapeamento de cronotipo e ritmos individuais; identificação de picos, vales e estados recorrentes de sobrecarga energética; autoavaliação de estados de regulação neurofisiológica; leitura de padrões emocionais recorrentes como sinais de recursos internos; observação da influência de luz, alimentação, movimento, interação social e tecnologia; práticas vivenciais e questionários estruturados para alfabetização corporal; aplicação de microrregulações sustentáveis, que respeitam limites individuais e contextuais.

Resultados: percepção clara de como o corpo organiza tempo, energia e atenção; compreensão aprofundada da relação entre ritmos biológicos e experiências afetivas, sociais e cognitivas; habilidade de intervir localmente sobre desequilíbrios fisiológicos; maior fluidez na experiência temporal cotidiana; estabelecimento de uma base biológica sólida para processos posteriores de alinhamento e transformação.

EIXO III – O SER SUBJETIVO

Fenomenologia da Consciência Temporal e Identidade Narrativa

Partindo do princípio de que a consciência não se organiza como uma sucessão de instantes isolados, mas como um fluxo temporal contínuo, este eixo investiga a temporalidade vivida como tecido da experiência subjetiva e da identidade. A percepção de passado, presente e futuro emerge como uma estrutura integrada que orienta ação, escolha, sentido e continuidade pessoal ao longo do tempo.

A experiência consciente é compreendida a partir de sua organização temporal triádica – retenção, impressão e protensão – na qual memórias implícitas, presença atual e antecipações coexistem e se influenciam mutuamente (Husserl). Rupturas nesse fluxo, sejam por eventos críticos, transições ou descontinuidades biográficas, afetam diretamente a capacidade de orientar-se no mundo, sustentar projetos e reconhecer a própria coerência existencial (Ricoeur).

Este campo, além, escava a relação entre o corpo vivido e a experiência subjetiva do tempo, reconhecendo que a consciência não se dá fora do corpo, mas é continuamente modulada por estados corporais, ritmos biológicos e disposições afetivas (Merleau-Ponty). A confrontação com a finitude emerge como elemento estruturante da temporalidade humana, convocando a responsabilidade sobre escolhas, prioridades e modos de estar-no-mundo (Heidegger).

Ao reconhecer a multiplicidade interna como constitutiva da experiência humana, este eixo favorece a convivência consciente entre diferentes facetas do eu, compreendidas como expressões legítimas de contextos, histórias e valores diversos. A narrativa pessoal passa a ser trabalhada como um campo integrador, capaz de sustentar continuidade sem rigidez, abertura sem fragmentação, e sentido sem fechamento prematuro.

Principais territórios atravessados:

  • Consciência temporal triádica: retenção, impressão e protensão
    (Husserl);

  • Temporalidade existencial e finitude
    (Heidegger);

  • Identidade como narrativa integrada no tempo
    (Ricoeur);

  • Corpo vivido e experiência subjetiva
    (Merleau-Ponty);

  • Multiplicidade do eu e convivência interna
    (Fernando Pessoa).

Práticas: mapeamento de exposição luminosa, térmica e sonora; identificação de ritmos sociais e institucionais que impactam a regulação; distinção entre fatores modificáveis, negociáveis e estruturais; reorganização gradual de rituais cotidianos e coletivos como âncoras temporais; implementação de microrregulações ambientais sem rupturas; desenvolvimento de uma postura de não-culpabilização frente a limites estruturais e construção de estratégias adaptativas individuais e coletivas.

Resultados: compreensão de como o meio molda a experiência temporal e existencial; maior estabilidade fisiológica e energética por meio de ajustes ambientais possíveis; capacidade de negociação temporal em contextos profissionais e relacionais; redução da autocrítica frente à dessincronia estrutural; fortalecimento da presença no mundo; integração entre regulação biológica, pertencimento ecológico e construção de sentido ao longo do tempo vivido.

EIXO IV – VÍNCULO

Sincronia Relacional e Temporalidade Compartilhada

Ao assumir que a ritmicidade do existir emerge no entre, no eu–tu, este campo investiga como vínculos constroem temporalidades compartilhadas nas quais corpos, sistemas nervosos e histórias afetivas se transformam mutuamente. Relações profundas operam como sistemas vivos de alinhamento biológico, emocional e temporal, capazes de sustentar tanto processos de florescimento quanto de cristalizar padrões herdados de sobrevivência.

Padrões de apego, microssintonizações precoces e experiências de ruptura moldam não apenas expectativas afetivas, mas a própria experiência subjetiva do tempo (Bowlby; Main; Beebe; Schore). Vínculos prolongados constroem arquiteturas temporais implícitas que organizam ritmos cotidianos, antecipações emocionais e estados neurofisiológicos. Quando essas relações se rompem, ocorre uma desorganização sistêmica dessas temporalidades compartilhadas, frequentemente reativando memórias implícitas, heranças transgeracionais e padrões antigos de regulação (Fraiberg; Van der Kolk; Wolynn; Yehuda).

O cuidado, nesse território, orienta-se para a capacidade de reorganização relacional ao longo do tempo, sustentada por processos de corregulação, negociação consciente de ritmos e reconhecimento de cronotipos diádicos. Lutos, perdas e transições são compreendidos como movimentos de reconstrução temporal, nos quais novos arranjos de presença, ausência e continuidade simbólica podem emergir.

Assim, o vínculo se apresenta como um campo ativo de transformação, no qual padrões herdados podem ser reconhecidos, metabolizados e reinscritos, ampliando a liberdade relacional e favorecendo relações mais éticas, vivas e temporalmente coesas.

Principais territórios atravessados:

  • Apego e desenvolvimento de segurança relacional
    (Bowlby; Ainsworth; Main; Lyons-Ruth; Schore)

  • Microssincronização e emergência do self relacional
    (Beebe; Tronick; Stern)

  • Trauma relacional e herança transgeracional
    (Fraiberg; Van der Kolk; Siegel; Wolynn; Yehuda)

  • Cronotipos diádicos e desenho das relações no tempo
    (Roenneberg; Wittmann)

  • Corregulação neurobiológica e presença significativa
    (Porges; Dana; Coan)

  • Luto e reconstrução de vínculos ao longo do tempo
    (Attig; Stroebe & Schut; Neimeyer)

  • Ética relacional e alteridade no eu–tu
    (Levinas; Buber)

Práticas: mapeamento de padrões de apego adulto; observação de cronotipos diádicos; identificação de estados neurofisiológicos associados a histórias relacionais; implementação de estratégias de negociação e microrregulação; prática de corregulação explícita; exercícios graduais de vulnerabilidade e tolerância à separação; enfrentamento do luto via Modelo de Processo Dual; criação de rituais de continuing bonds e reconstrução de zeitgebers sociais mínimos.

Resultados: reconhecimento da plasticidade dos padrões relacionais; maior consciência sobre ritmos próprios e compartilhados; competência em oferecer e receber presença reguladora; integração entre biologia, emoção, memória e vínculo; desenvolvimento de relações resilientes, autênticas e temporalmente sustentáveis; percepção da interdependência entre corpo, afeto e tempo na experiência compartilhada.

EIXO V – MEIO

Natureza Humana, Cronopoder, Ecologias Temporais e Sentido Existencial

Ao reconhecer que o tempo vivido é profundamente moldado pelo meio, este eixo investiga como ambientes físicos, naturais, sociais e institucionais organizam – ou desorganizam – a experiência temporal, a regulação biológica e a construção de sentido (Lewy; Gooley; Wilson). Parte do entendimento de que a desincronia contemporânea não é apenas uma dificuldade individual de adaptação, mas uma incompatibilidade estrutural entre a biologia rítmica da espécie humana e certos arranjos ambientais e culturais (Crary; Roenneberg).

A espécie humana evoluiu em contextos naturais marcados por ciclos claros de luz e escuridão, alternância entre esforço e repouso, vínculos estáveis e ritmos previsíveis, que moldaram a organização do sistema nervoso, da percepção temporal e da vida afetiva (Wilson; Kellert; Porges). A expansão da mente simbólica e criativa, embora tenha possibilitado complexas formas culturais e tecnológicas, também produziu ambientes acelerados, contínuos e artificializados, culminando na cultura 24/7, na qual o tempo vital passa a ser capturado e regulado externamente (Crary; Foucault).

Nesse cenário, nascem formas de cronopoder que impactam sono, atenção, energia, emoção e percepção de segurança, fragilizando a espinha temporal que sustenta a continuidade psíquica e existencial (Foucault; Dana). Em diálogo com a biofilia e com abordagens existenciais, este eixo compreende o sofrimento temporal como fenômeno ecológico-existencial e investiga como a reconexão com ritmos naturais, coletivos e simbólicos sustenta não apenas a regulação fisiológica, mas a possibilidade de estar no mundo com presença, pertencimento e significado (Wilson; Frankl).

Principais territórios atravessados:

  • Exposição luminosa e organização dos ciclos fisiológicos
    (Lewy; Gooley);

  • Evolução da natureza humana e limites biológicos da espécie
    (Wilson; Kellert);

  • Cronopoder, disciplina temporal e captura institucional do tempo
    (Foucault);

  • Aceleração contemporânea, cultura 24/7 e erosão do tempo vital
    (Crary);

  • Biofilia, ecologias temporais e pertencimento ao mundo
    (Wilson; Kellert);

  • Sentido existencial, adaptação ao meio e vontade de significado
    (Frankl).

Práticas: mapeamento de exposição luminosa, térmica e sonora; reorganização gradual de rituais sociais e coletivos como âncoras temporais; distinção entre modificável, negociável ou estrutural; implementação de microrregulações sem rupturas; negociação institucional quando viável; postura de não-culpabilização frente a limites estruturais e desenvolvimento de estratégias individuais e coletivas de adaptação e resistência.

Resultados: compreensão de como ambientes e instituições moldam a experiência temporal; habilidade de reorganizar luz, temperatura e ritmos sociais em favor de estabilidade fisiológica; capacidade de negociar acordos temporais em contextos profissionais e relacionais; redução da autocrítica frente a limitações estruturais; fortalecimento da consistência energética e do ritmo cotidiano; incorporação de estratégias adaptativas que sustentam bem-estar e presença ao longo do tempo vivido.

EIXO VI – TEMPORALIDADES LIMINARES

Transições Vitais como Reorganização Existencial

Ao reconhecer que certas experiências humanas suspendem identidades, papéis e ritmos previamente estabilizados, este campo investiga como transições vitais reorganizam a temporalidade vivida, o corpo e a percepção de si. A liminaridade é compreendida como um estado entre – um intervalo no qual formas anteriores de pertencimento se dissolvem antes que novas estruturas possam se constituir, exigindo tempo, sustentação e reconhecimento simbólico.

Passagens como maternidade, menopausa, luto, adoecimento, aposentadoria ou outras mudanças profundas configuram reorganizações existenciais que atravessam simultaneamente níveis biológicos, afetivos, narrativos e sociais (Van Gennep; Turner; Sacks; Frank). Nessas fases, a experiência do tempo frequentemente se fragmenta, antigos ritmos deixam de operar e narrativas identitárias tornam-se provisórias, revelando a dimensão temporal da transformação humana.

O cuidado, nesse território, orienta-se para a capacidade de sustentar a travessia sem precipitar fechamentos identitários prematuros. A criação de rituais, a proteção de recursos mínimos de regulação e a presença de testemunhas simbólicas ou relacionais favorecem a reorganização gradual do sentido, permitindo que novas formas de identidade e pertencimento emerjam de modo orgânico.

Assim, as transições são compreendidas não como falhas ou desvios do percurso vital, mas como movimentos estruturantes da experiência humana, nos quais corpo, história e mundo vivido se reorganizam ao longo do tempo, ampliando a plasticidade existencial e a confiança na temporalidade própria da transformação.

Principais territórios atravessados:

  • Ritos de passagem, betwixt and between e estrutura da liminaridade
    (Arnold Van Gennep; Victor Turner; Barbara Myerhoff);

  • Matrescência e reorganização biológica e identitária na maternidade
    (Alexandra Sacks);

  • Transformações hormonais, simbólicas e sociais na menopausa
    (pesquisas contemporâneas);

  • Dissolução de estruturas profissionais e reconstrução identitária na aposentadoria
    (estudos contemporâneos);

  • Luto, perda e reconstrução da vida cotidiana
    (William Worden; Stroebe & Schut; Neimeyer);

  • Adoecimento crônico e ruptura narrativa
    (Arthur Frank);

  • Transições identitárias prolongadas e reorganização do pertencimento
    (estudos contemporâneos).

Práticas: identificação consciente das transições em curso; mapeamento da experiência liminar; criação de microrrituais pessoais; protocolos mínimos de regulação corporal e relacional; busca de comunalidade com pares em travessia; construção de narrativas provisórias; proteção de sono, alimentação e vínculos de apoio.

Resultados: reconhecimento das transições como reorganizações estruturais da experiência; maior tolerância à incerteza e à suspensão identitária; criação de marcos simbólicos quando ausentes; fortalecimento de recursos internos e relacionais; reorganização gradual de identidade e pertencimento; integração entre corpo, tempo, história e mundo vivido.

DEVIR

os caminhos possíveis de sincronia aplicada que se seguem na segunda fase do programa

REGULAÇÃO SOMÁTICA

Trilhas orientadas à percepção, e ao ajuste e refinamento dos ritmos internos do corpo, que integram sensações, movimento e sinais fisiológicos. Incluem abordagens para manejo de condições crônicas, suporte a ciclos femininos e fertilidade, saúde metabólica, imune e hormonal, atenção a estados de sobrecarga ou neurodivergência, e exploração do diálogo corpo-ambiente como recurso terapêutico. São propostas técnicas de microrregulação, observação de picos e vales energéticos, exercícios respiratórios e intervenções sensoriais em contextos reais, fortalecendo coesão interna e capacidade adaptativa.

CONSTRUÇÃO EMOCIONAL E PRESENÇA NO TEMPO

Processos que ampliam consciência afetiva, autorregulação/corregulação emocional e organização temporal do cotidiano. Incluem identificação de padrões persistentes, integração de estados afetivos conflitantes, gestão de energia mental e atenção intencional. As atividades contemplam observação e registro de sentimentos, práticas de meditação, journaling estruturado e rituais breves do dia a dia que promovem convergência entre experiência interna e demandas externas, conectando corpo, mente e contexto para escolhas mais conscientes.

RUPTURAS RELACIONAIS E TRANSIÇÕES IDENTITÁRIAS

Movimentos que abordam vínculos, perdas e mudanças de papéis, e ampliam a capacidade de atravessar transições identitárias e relacionais. Propõem estratégias de negociação de ritmos compartilhados, construção de redes de apoio e rituais de passagem. Acompanhamento de vínculos parentais, conjugais, profissionais ou sociais; enfrentamento de perdas; exploração de novos papéis e integração de múltiplas facetas do eu diante de mudanças vivenciais como luto, trauma, separação, menopausa,  maternidade, adoecimento ou transformação profissional, a exemplo.

SENTIDO EXISTENCIAL E ESTRUTURAS DE VIDA

Intervenções que conectam escolhas, projetos e organização de vida a uma temporalidade coerente e integrada. Incluem reflexão sobre propósito, alinhamento de valores, mapeamento de trajetórias e construção de narrativas pessoais que sustentem decisões. Contemplam priorização de objetivos, avaliação de recursos internos e externos, desenvolvimento de hábitos significativos e reorganização de rotinas e contextos, promovendo decisões informadas e alinhadas com o ritmo individual.

devir

Pronto(a) para pertencer a um campo disruptivo de conhecimento aplicado à reorientação do viver para além da linearidade e fragmentação existenciais?

DEVIR ocorre de modo online e permite acesso pleno de qualquer canto do mundo. Onde quer que você se encontre, este conhecimento se fará presente e reconfigurará, de maneira profunda e consistente, sua relação consigo, o outro e o mundo.

Em caso de dúvidas ou desejo de busca por mais detalhes, entre em contato.

DEVIR

Um retorno à vividez cíclica e ao estar bem

DEVIR é um percurso de reorganização temporal e existencial. Um espaço contínuo de estudo, prática e acompanhamento que permite compreender como corpo, afetos, vínculos e ambientes estruturam a experiência de viver, e como é possível intervir nessas dinâmicas de forma consciente e situada. A jornada inicia-se pelos eixos fundacionais, em que o participante aprende a reconhecer sincronias e desalinhamentos nas dimensões biológica, subjetiva, relacional e ambiental. Ao longo de seis movimentos progressivos, torna-se possível perceber como energia, atenção, humor, vínculos e escolhas são atravessados por ritmos internos e externos frequentemente invisíveis.

Cada eixo permanece disponível durante todo o percurso, permitindo revisitas conforme novas camadas de compreensão emergem. Aulas-Portal, audiolições, leituras e materiais de integração funcionam como mapas que acompanham o participante enquanto ele aprende a ler o próprio tempo e a reorganizar suas respostas ao cotidiano. Com os fundamentos consolidados, o percurso se amplia em experiências aplicadas, nas quais a compreensão adquirida se traduz em intervenções concretas na vida diária. Nesse momento, cada pessoa pode escolher quais temas e processos explorar, dentro das quatro linhas de cuidado do programa, com protocolos que variam em duração conforme a natureza da experiência – alguns mais orgânicos e breves, outros exigindo maturação mais extensa.

Ao longo de todo o processo, o DEVIR apoia-se também em encontros mensais ao vivo, que aprofundam temas emergentes e favorecem reconhecimento coletivo e corregulação; em imersões sazonais, que acompanham os ritmos do ano e convidam a revisões mais amplas de vida; e em uma comunidade contínua, onde experiências podem ser partilhadas sem pressa e sem exposição compulsória. O programa permanece em constante atualização, com adição periódica de novos conteúdos e experiências, permitindo que cada participante permaneça pelo tempo que fizer sentido, retornando aos materiais conforme novas necessidades e compreensões surgem.

Ao atravessar o DEVIR, a pessoa não apenas adquire informação, mas desenvolve competência para reconhecer e ajustar seus próprios ritmos, amplia recursos para sustentar mudanças, reorganiza vínculos e escolhas e constrói uma relação mais lúcida com o tempo vivido é uma nova forma de habitar a própria experiência, com maior consistência interna, capacidade de adaptação e liberdade para construir caminhos compatíveis com o corpo, com a história e com o mundo que se deseja viver.

O investimento

R$ 1217,00

Parcelamento disponível, com acréscimo de juros.

O valor descrito acima cobre um ano de acesso ao DEVIR, para aqueles que ingressarem no programa até março de 2026. Para quem se juntar ao grupo a partir de então, o investimento retorna para R$ 2497,00. 

Garantia de 7 dias. 

devir

àqueles que reconhecem que viver é ritmar, e que toda forma de manifestação enraiza-se em uma rede integrada de tempos, um caminho formativo completo

Para estudiosos e profissionais comprometidos em cultivar uma sabedoria sintonizada à dimensão sazonal da vida e em aprofundar seus conhecimento em temporalidade, corpo, vínculos e ecologias do cuidado, estão disponíveis algumas possibilidades de permanência estendida, com supervisão em área aplicada e sessões individuais mensais, para cocriação de métodos e protocolos autorais enraízados em nossa metodologia.

Há trajetórias de vida que pedem, não soluções rápidas, mas um lugar clínico onde o corpo possa voltar a reconhecer o próprio tempo. A Terapia de Mapeamento e Sincronia de Ritmos (TMSR) nasce da constatação de que grande parte do sofrimento contemporâneo organiza-se mais do que apenas em sintomas isolados, em processos de dessincronia, seja dos ritmos biológicos tensionados, vínculos que perdem capacidade de corrregulação, ou ambientes que violam ciclos essenciais à vida.

TMSR

O QUE

A RITMICIDADE EXISTENCIAL como eixo clínico de alinhamento

A TMSR constitui um percurso de cuidado fundamentado na compreensão de que a qualidade da saúde e do estar bem emerge da coesão entre os ritmos que sustentam o organismo ao longo do tempo. Parte do reconhecimento dos ritmos – pessoais, vinculares e ambientais – como princípio ativo e estruturante, capaz de organizar o corpo, modular a vida emocional e orientar a própria existência. Nesse horizonte, sua aplicação implica ler e apoiar a arquitetura temporal que torna o viver em inteireza e plenitude possível, previsível e habitável.

Ainda, ao longo da vida, essa organização rítmica pode se fragilizar por sobrecargas prolongadas, experiências de ruptura, exigências ambientais incompatíveis ou estados de alerta mantidos nos instantes. Nesses contextos, os ritmos deixam de se articular entre si, o corpo perde capacidade de antecipação e o sistema nervoso opera em regimes de instabilidade, exaustão ou hiperadaptação. É aí que a TMSR intervém: nesse nível profundo de desorganização temporal, combinando escuta, neurociência circadiana e protocolos de modulação rítmica, e restaurando coerência entre corpo, ambiente e trajetória de vida.

Ao articular a singularidade de cada organismo com parâmetros fisiológicos observáveis, a TMSR pode se configurar tanto como processo terapêutico contínuo quanto como percurso aplicado, orientado a objetivos clínicos específicos. Destina-se a pessoas em atravessamentos de perdas, rupturas, transições identitárias, crises existenciais ou estados persistentes de exaustão, assim como àquelas que buscam intervenções mais orgânicos,  como fertilidade, dor crônica, reorganização metabólica, saúde imune e hormonal, regulação do peso ou recuperação da vitalidade. Em todos os casos, o trabalho clínico sustenta processos de reorganização progressiva do viver, respeitando os tempos próprios do corpo e da experiência.

TERAPIA DE MAPEAMENTO E SINCRONIA DE RITMOS

AS quatro FASES que compõem o processo

01. MAPEAMENTO INTEGRATIVO

A primeira etapa realiza levantamento detalhado das três camadas temporais:

  • Ritmos do Ser – Ritmos biológicos, sono, fadiga, regulação do sistema nervoso, alimentação, ciclos hormonais, subjetividades, padrões de pensamento;

  • Ritmo do Vínculo – corregulação, história de apego, qualidade de vínculos, o que emerge entre o ser e os seus;

  • Tempo do Meio – Ambiente físico, natural e artificial, trabalho condições estruturais de vida, sentido e significado.

O percurso pode ser atravessado de forma síncrona, com sessões clínicas presenciais ou remotas, ou assíncrona, respondendo instrumentos e questionários enviados progressivamente. Ao final da coleta de dados, é produzido o Documento de Mapeamento Temporal, que inclui dados sobre ritmos biológicos, padrões do sistema nervoso, apego como modelo preditivo relacional, qualidade de vínculos, ambiente, traumas* e saúde mental*. Este apanhado funciona como radiografia temporal, e revela áreas de sincronia, pontos de colapso e interdependência entre camadas, sendo entregue antes da sessão de devolutiva final, em que se apresenta o enquadre teórico construcionista, valida-se sofrimento estrutural quando aplicável e indicam-se linhas de cuidado recomendadas.

A fase pode ser percorrida de forma autônoma, oferecendo clareza sobre o estado atual e funcionando como ponto de decisão de avançar para acompanhamento profundo (Fases 2–4) ou encerrar o percurso ali, mantendo a autonomia a partir do de então.

*Casos que exigem acompanhamento psiquiátrico ou psicoterápico recebem indicação de rede de cuidado complementar.

02. SINCRONIA E ACOMPANHAMENTO

Para os que desejam seguir com orientação, esta fase promove reconstrução profunda por meio de sessões semanais ou quinzenais, e combinam três dimensões integradas:

  • Reconhecimento – Validação do sofrimento e conexão entre camadas temporais;

  • Ancoragem – Criação de chão firme por meio de sincronizadores temporais concretos (sono, alimentação, práticas corporais);

  • Experimentação – Recategorização emocional, reconstrução identitária e busca de sentido existencial.

O trabalho segue as 4 linhas clássicas de cuidado:

  1. Regulação biológica, com enfoque na restauração da coerência entre ritmos e ciclos biológicos e dinâmica autonômica;

  2. Construção emocional e presença no tempo, com trabalho sobre a expansão da capacidade de sentir, nomear e modular experiências afetivas em contexto temporal;

  3. Rupturas relacionais e transições identitárias, com atenção a eventos que dessincronizam profundamente papéis, vínculos e experiência de continuidade existencial;

  4. Sentido existencial e estruturas de vida, ação sobre a capacidade de projetar futuro significativo dentro de limites reais, mapeando margens de controle versus imposições estruturais.

Sessões combinam trabalho clínico visceral, práticas incorporadas e referência criteriosa a literatura e filosofia quando ampliam possibilidades experienciais.

03. MANUTENÇÃO

Momento em que se consolida a autonomia, com sessões que espaçam-se progressivamente para sustentar práticas sem apoio constante.

  • Sinais precoces de desregulação são monitorados, interpretados como oscilações naturais, não recaídas.

  • Ajustes sazonais são aplicados (ex.: inverno – acomodação biológica à desaceleração; verão – adaptação de sono a dias longos).

  • Antecipação de desafios previsíveis (viagens, datas significativas, deadlines) e demandas emergentes (conflitos, estresse, luto reativado).

  • Reaplicação de instrumentos da Fase 1 para comparação objetiva, permitindo visualizar atualização de modelos preditivos e evolução de regulação, sono, relações e perspectivas futuras.

A decisão de avançar ou encerrar o acompanhamento depende do alcance de sustentação desejado pelo indivíduo.

04. INTEGRAÇÃO

Encerramento ritualizado que revisita todo o percurso:

  • Comparação entre mapeamento inicial e momento atual, e celebração de ganhos concretos sem ocultar fragilidades;

  • Criação de mapa de navegação futuro, contemplando possíveis desafios (insônia, luto, sobrecarga laboral) e estratégias preventivas;

  • Ritual de fechamento.

A porta da TMSR, após o encerramento, permanece aberta para retornos pontuais ou check-ins sazonais, para ajustes preventivos, ou repetição do programa completo em caso de dessincronia intensa. 

TERAPIA DE MAPEAMENTO E SINCRONIA DE RITMOS

COMO INICIAR O PERCURSO DE SINCRONIA TEMPORAL

o PRIMEIRO PASSO


O ponto de partida é o preenchimento de um formulário inicial, estruturado para apresentar de forma clara as possibilidades da TMSR, identificar prioridades e delinear um perfil preliminar das necessidades e da situação atual. Este instrumento funciona como triagem, permitindo ajustar o percurso de forma personalizada, esclarecer opções de intervenção – incluindo a análise genética opcional – e situar cada pessoa em relação à amplitude de abordagens disponíveis. O formulário oferece uma primeira reflexão estruturada sobre ritmos biológicos, emocionais e contextuais, e evidencia padrões que muitas vezes permanecem invisíveis na rotina cotidiana ou em atendimentos fragmentados.

o que está à frente

Ao final do percurso completo, a TMSR entrega mais do que um conjunto de protocolos ou recomendações pontuais. O resultado é uma restauração da coesão temporal que sustenta corpo, emoção, relações e experiência existencial. A abordagem integra mapeamento sistemático, práticas somáticas e cognitivas, protocolos de sincronização adaptados ao ritmo individual e orientações de continuidade clínica, funcionando como uma visão unificada da saúde e do bem-estar. Em caminho oposto à segmentação tradicional entre especialidades médicas, psicológicas e terapêuticas, a TMSR opera de forma sistêmica ao oferecer uma arquitetura de cuidado que reconhece interdependência de corpo, mente, relações e ambiente, e favorecer a recuperação da previsibilidade pelo organismo, a regulação consistente do sistema nervoso, e a experiência sustententável de navegar pelos caminho da vida.

CONHEÇA, ABAIXO, A ESTRUTURA TÍPICA DE UMA SESSÃO

TERAPIA DE MAPEAMENTO E SINCRONIA DE RITMOS

OS PILARES teóricos QUE SUSTENTAM ESTE CAMPO

(Lisa Feldman Barrett; James Russell; Shir Atzil; Kristen Lindquist; Joseph LeDoux; Ralph Adolphs)

A experiência afetiva emerge da integração contínua entre corpo, cérebro e contexto ao longo do tempo. Emoções são processos construídos a partir de sinais interoceptivos, aprendizagem prévia, memória, linguagem e previsões cerebrais, organizadas em situações concretas de vida. Esse enquadramento permite compreender a experiência emocional como fenômeno plástico, historicamente situado e passível de reorganização, sem reduzi-la a reflexos automáticos ou categorias universais fixas.

(Jürgen Aschoff; Till Roenneberg; Franz Halberg; Timothy Monk; Simon Folkard; Martha Merrow)

O organismo humano é um sistema temporalmente regulado, no qual ritmos circadianos, infradianos e ultradianos estruturam energia, atenção, afeto e disponibilidade relacional. A cronobiologia oferece o fundamento para compreender saúde e sofrimento como expressões de alinhamento ou desalinhamento entre tempo biológico, demandas ambientais e narrativas de vida. Esse campo sustenta abordagens que respeitam a temporalidade própria dos processos de reorganização, evitando acelerações que aprofundam a desregulação.

(A.D. (Bud) Craig; Stephen Porges; Sarah Garfinkel; Hugo Critchley; Deb Dana; Pat Ogden)

A experiência subjetiva é inseparável da leitura contínua que o sistema nervoso faz do estado interno do organismo. Processos interoceptivos, estados autonômicos e padrões de engajamento ou retração configuram o pano de fundo sobre o qual percepção, emoção e ação se organizam. Esse campo possibiltia a leitura clínica dos estados fisiológicos como linguagem viva do ser, favorecendo estabilidade, previsibilidade e reorganização progressiva da capacidade regulatória.

(Edmund Husserl; Maurice Merleau-Ponty; Martin Heidegger; Paul Ricoeur)

A experiência vivida constitui dado central de uma investigação que assume que corpo, tempo e sentido não são tratados como abstrações, mas como modos concretos de habitar o mundo. A fenomenologia, dessa forma, oferece instrumentos para compreender como passado, presente e antecipação se entrelaçam na constituição da identidade, e como rupturas nessa continuidade afetam escolha, ação e presença, revelando processos de transformação que se constroem a partir da forma singular como a vida é percebida, sentida e narrada.

(John Bowlby; Mary Ainsworth; Allan Schore; Beatrice Beebe; Daniel Stern; Ed Tronick; Colwyn Trevarthen; Sue Johnson)

O desenvolvimento humano é um processo relacional e temporal, no qual padrões de regulação afetiva emergem no entre - na qualidade das presenças, das ausências e das microssintonias ao longo do tempo. O vínculo estrutura expectativas, ritmos compartilhados e modos de responder ao mundo. Processos de sofrimento, trauma ou reorganização afetiva, então, constroem-se e se transformam em campos relacionais, e não em isolamento.

(Karla Knoblauch)

A experiência humana emerge da interação contínua entre três dimensões inseparáveis que se regulam mutuamente através de processos rítmicos: o Ser (regulação biológica e subjetiva), o Vínculo (regulação relacional) e o Meio (contexto físico, social e simbólico). Saúde, bem-estar e coerência existencial expressam estados de sincronia rítmica entre essas dimensões. Sofrimento, adoecimento ou descompasso indicam dessincronias, retrações, excessos ou compensações entre elas, nunca ocorrendo de forma isolada. Este modelo sustenta uma leitura integrada da experiência humana, na qual reorganizações afetivas, temporais e relacionais se apoiam mutuamente ao longo do tempo através da restauração progressiva de padrões de alinhamento.

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Ideal para quem

Pessoas cujo sofrimento se manifesta primariamente como instabilidade fisiológica e perda de previsibilidade corporal, como insônia crônica, fadiga persistente, flutuações hormonais, dor recorrente, inflamação, ansiedade somática ou sensação contínua de exaustão. São quadros em que o organismo opera em regimes prolongados de alerta ou colapso, tornando qualquer tentativa de mudança psicológica ou comportamental frágil e insustentável. O trabalho se organiza, nesse caso, a partir da reconstrução da coerência rítmica e da capacidade de antecipação interna, favorecendo a retomada de estabilidade neurofisiológica como condição de base para processos mais amplos de reorganização.

Aqueles cujo desconforto se expressa predominantemente na esfera relacional e afetiva: dificuldades persistentes de vínculo; hipervigilância interpessoal; retraimento emocional; padrões reiterados de conflito; sensação de não pertencimento ou medo crônico de dependência e abandono. São configurações em que a experiência do outro é vivida como ameaça, instabilidade ou sobrecarga, comprometendo a possibilidade de corregulação e de confiança básica. Aqui, o caminho se estrutura pela reconstrução gradual de segurança relacional e de inteligibilidade afetiva, permitindo que o sistema volte a experimentar o vínculo como espaço de sustentação e não de risco.

Indivíduos que experimentam desalinhos, sobretudo, no plano do sentido, da identidade e da narrativa de si, como sensação de descontinuidade biográfica, perda de direção existencial, colapso de valores, conflitos identitários ou dificuldade em integrar experiências marcantes à própria história. São estados em que a vida segue operando, mas sem coerência simbólica suficiente para orientar escolhas, desejos e pertencimentos. A jornada se orienta, nesse contexto, pela reorganização dos eixos narrativos e simbólicos que formam o existir, favorecendo a restituição de continuidade, inteligibilidade e autoria sobre o próprio percurso.

Pessoas que apresentam fricção prolongada entre o indivíduo e seus contextos de vida, seja em ambientes desreguladores, ritmos incompatíveis, pressões sistêmicas contínuas, falta de sentido, esgotamento ocupacional ou sensação de inadequação estrutural ao mundo em que se vive. Nesses quadros, o mal-estar não reside apenas no sujeito, mas na ecologia vincular, cultural e temporal que o envolve. O trabalho se conforma, assim, pela leitura e reorganização das interfaces entre pessoa, ambiente e tempo, buscando restaurar condições de pertencimento e viabilidade no cotidiano vivido.

TERAPIA DE MAPEAMENTO E SINCRONIA DE RITMOS

UM CONVITE A Restituir continuidade, previsibilidade e margem de vida

Uma caminhada de reorganização biológica e vivencial profunda, voltada a pessoas que buscam reestabelecer a convergência harmoniosa entre corpo, vínculos, tempo vivido e capacidade de escolha. A TMSR constitui um campo integrativo de ressincronia biológica, relacional e narrativa, no qual o tempo deixa de ser experimentado como pressão difusa ou instabilidade contínua e passa a operar como eixo interno de orientação. Ao longo do percurso, criam-se condições para que a vida recupere continuidade, inteligibilidade e possibilidade de manobra real, favorecendo transformações que se mantêm nas diferentes ritmicidades que se destacam ao longo do cotidiano.

QUEM SOMOS

Prof. Esp.

Karla Knoblauch

Cronobiologista e neurobióloga (UFPR), CRBio 130785/07. Especialista em Ritmos Biológicos, Medicina do Sono, Neurociência Circadiana e Afetiva, fisiologia e fisiopatologia humana. Membro da Academia Brasileira do Sono, com formações complementares pela USP, University of Munich (LMU), University of Michigan e Duke University. Professora, pesquisadora e ensaísta, autora da publicação Entre Tempos no Substack. Fundou o campo da Neurocronobiologia Afetiva ao integrar cronobiologia, neurobiologia da regulação e do afeto construcionista (Barrett, Russell, Atzil, Craig, Porges), e fenomenologia temporal (Husserl, Merleau-Ponty, Heidegger). Seu Modelo Triádico de Regulação Rítmica propõe que saúde e sofrimento emergem de estados de sincronia ou dessincronia entre três dimensões inseparáveis: Ser (regulação biológica e subjetiva); Vínculo (regulação relacional) e Meio (contexto físico-social-simbólico). Sua atuação percorre múltiplas escalas, da clínica à escrita, da formação de profissionais à criação de experiências imersivas, movida pela convicção de que o tempo é a arquitetura invisível da vida. Entre o rigor experimental e a imaginação ecológica, sua obra propõe uma epistemologia do ritmo e uma ética da sincronia: pensar e cuidar do humano em compasso com o cosmos e com a Terra.

Prof. DR.

Salvador Paganella

Biólogo, Mestre e Doutor em Microbiologia, Parasitologia e Patologia (UFPR), com Pós-Doutorado em Entomologia, especialista em Biologia Molecular, Genética e Análise Crítica de Dados. Pesquisador, docente e curador científico, possui experiência em instituições de referência e reúne investigação laboratorial, supervisão acadêmica e desenvolvimento de protocolos avançados. Na Noblau Co, atua como guardião da precisão analítica e traduz complexidade biológica em ferramentas aplicáveis à Neurocronobiologia Afetiva. Sua atuação percorre múltiplas escalas – da orientação científica à supervisão de projetos, da concepção de protocolos à participação em formações e experiências imersivas – movida pela convicção de que o conhecimento é a ponte entre evidência, prática e transformação. Entre o detalhe microscópico e a perspectiva ampliada dos sistemas vivos, sua obra propõe uma epistemologia do ritmo e uma ética da sincronia: pensar e atuar sobre o vivo em compasso com os ritmos humanos, sociais e planetários.

Os primeiros passos para alinhar EXISTÊNCIAS, práticas e espaços aos ritmos que sustentam a vida.

Quando a direção não é clara, a sincronia revela o caminho

Seja qual for o ponto de partida – a busca por clareza existencial, a otimização de vitalidade e energia, ou a construção de práticas e negócios conscientes – a Noblau Co oferece estratégias integradas e suporte especializado para revelar caminhos coerentes com os ritmos que estruturam corpo, relações e ambiente.

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